Séries e TV

Crítica

Supergirl - 1ª Temporada

Série cumpre seu propósito de introduzir a heroína ao apresentar uma excelente Kara Danvers

Aline Diniz
04.05.2016
14h43
Atualizada em
09.10.2019
13h55
Atualizada em 09.10.2019 às 13h55

Supergirl, em nenhum momento de sua temporada de estreia, tenta ser algo que não é. Como a maioria das séries que permeiam as emissoras abertas da TV americana, os episódios procedurais apresentam o arco da semana, acompanhados dos diferentes vilões que ameaçam National City, além de adicionar um pouco mais à história geral - mas nada além disso. Apesar da produção que não foge à regra, Melissa Benoist entrega uma boa introdução da heroína à TV com a carismática e problemática protagonista Kara Danvers, e é uma ótima adição ao pequeno grupo de protagonistas femininas de hoje.

Os 20 episódios da série têm um pouco de tudo: desde a introdução de Kara à Terra; flashbacks sobre seus primeiros momentos como a alienígena com superpoderes e sua adaptação; sua relação com os colegas de trabalho Winn Schott (Jeremy Jordan) e James Olsen (Mehcad Brooks) que a ajudam na vida dupla, além de Cat Grant (Calista Flockhart), a chefe durona que não sabe quem sua própria assistente realmente é; o envolvimento com o DEO e Hank Henshaw (David Harewood), o Caçador de Marte; a relação com sua irmã, Alex Danvers (Chyler Leigh)... A série dá uma boa pincelada em todos os elementos que compõe a introdução da heroína na TV.

Outra questão que a série aborda são os laços de família que Kara Danvers tem com Clark Kent. Em nenhum momento a série esconde a existência do Superman ou deixa de citá-lo - são diversos menções em situações diferentes, sem nenhuma vez ele precisar aparecer em tela. Com a presença de personagens do mesmo universo dos quadrinhos no cinema e da TV sem existir uma integração que conecte as produções, as limitações das séries de super-herói ficam cada vez maiores, mas Supergirl estabeleceu desde o início que não se apoiaria no fato da heroína ter um familiar super-poderoso e seguiu independente do início ao fim.

Inicialmente, Supergirl parecia querer usar a destruição de Krypton como uma desculpa para tudo. A chegada da heroína à Terra veio acompanhada de Fort Rozz, a prisão de segurança máxima do planeta que havia sido banida para a Zona Fantasma - ou seja, junto de Kara, vieram também os piores criminosos de seu planeta de origem para aterrorizar os humanos. A maioria dos vilões que a heroína enfretou vieram de Fort Rozz, mas logo a produção percebeu que não precisava manter a temática, possivelmente se inspirando no sucesso de The Flash, decidindo focar mais nas histórias individuais dos personagens e na trama geral da série do que em batalhas independentes.

Além do desenvolvimento da heroína com sua família terrestre, principalmente com a protetora irmã Alex, todo o arco de Hank Henshaw também acrescentaram profundidade à narrativa. Para Kara, ter outro bom alienígena como amigo e colega de trabalho é extremamente importante, principalmente por ser um bom treinador que a ajudará com suas habilidades. Da mesma forma, ele também aponta para um importante fator que é o da interferência do super-herói nas vidas humanas que "protege". Se a série for renovada, certamente veremos mais de J'onn J'onzz e de seus ensinamentos para a jovem heroína.

Supergirl sofreu intensamente em seu ano de debute com o arco geral. A ameaça de Non (Chris Vance), apesar de ser constantemente citada desde os primeiros capítulos, só é de fato revelada e colocada em ação no 19º episódio, o penúltimo da temporada. "Myriad" revela que Non quer preservar a Terra transformando os humanos em escravos que apenas trabalham para melhorar o planeta da lenta destruição que causamos com emissões de gases e outros danos promovidos pela humanidade. Com a ajuda de Índigo (Laura Vandervoot), as duas últimas horas da temporada revelam que o plano está a ponto de ser concluído - quando Supergirl intervem e salva o dia mais uma vez.

Apesar de seus problemas, a série entrega também bons ideais por trás de ideias fracas. Um bom exemplo é esse: todos sabemos que a ameaça nunca se concretizará e o planeta será salvo no fim do dia, como em qualquer outra história de super-herói. Mas Kara não resolve tudo tudo sozinha, é somente com a ajuda de seu time que ela consegue derrotar os vilões que assolam National City. Não há más intenções na primeira temporada da série e ela cumpre seu propósito de introduzir a heroína. Resta saber agora se uma segunda temporada será encomendada para vermos Kara Danvers e seu time em novas situações, possivelmente com mais foco desde o primeiro capítulo.

Nota do Crítico
Bom