Succession escancara tragédia familiar em sua melhor temporada

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Séries e TV

Crítica

Succession escancara tragédia familiar em sua melhor temporada

3º ano da série foi marcado por grandes atuações e roteiro afiado

Beatriz Amendola
17.12.2021, às 16H00
ATUALIZADA EM 17.12.2021, ÀS 17H11
ATUALIZADA EM 17.12.2021, ÀS 17H11

Que os Roy, os bilionários ao centro de Succession, não eram exemplo de uma família saudável e bem-ajustada, já estava claro desde a primeira temporada da série criada por Jesse Armstrong para a HBO. Mas o terceiro ano da produção resolveu mergulhar de vez nas feridas deixadas pelo magnata Logan (Brian Cox) em seus filhos, escancarando uma tragédia familiar marcada por traições e desprezo. 

No fim, não há como usar meias-palavras: se tem algo que ficou mais claro do que nunca no episódio final da temporada, “All The Bells Say”, é que Kendall (Jeremy Strong), Shiv (Sarah Snook), Roman (Kieran Culkin) e Connor (Alan Ruck) não têm a consideração ou o respeito do pai, mesmo fazendo tudo para caírem em suas boas graças e receberem a aprovação que tão desesperadamente buscam.

Mais do que conflitos com acionistas, concorrentes ou a Justiça americana, o grande motor da temporada, especialmente em sua reta final, foi seu componente emocional, algo que a trama, acertadamente, explorou aos poucos para dar a dimensão do estrago causado pelo patriarca. Não importa se o episódio girava em torno de política ou de negociatas: no fim, a vontade de Logan prevalecia – mesmo que às custas dos filhos. Não por acaso, o ápice do ano foi uma dolorosa cena do finale compartilhada por Kendall, Shiv e Roman, os três se dando conta de que nunca iriam ganhar nos jogos propostos pelo pai. 

Nada disso é usado, no entanto, para transformá-los em “pobre crianças ricas”. Succession reconhece que seus protagonistas são, em inúmeros níveis, detestáveis. Mas a temporada acerta ao indicar como essas posturas estão intrinsecamente ligadas a uma dinâmica familiar disfuncional e abusiva. Os filhos de Logan, desde o início, nunca tiveram chance.  

Em oposição aos herdeiros Roy, a dupla dinâmica formada por Tom (Matthew McFayden) e Greg (Nicholas Braun) brilhou ainda mais. Os dois outsiders da família entregaram momentos cômicos e, reconhecendo a vulnerabilidade de suas posições, traçaram suas próprias estratégias e deixaram as máscaras cair, em uma das reviravoltas mais interessantes já entregues pela série. 

Muito se deve, claro, ao texto brilhante da série, que soube conduzir a trama com paciência e deixar pequenas pistas sobre o que viria adiante. A menção de Tom ao imperador romano Nero é o exemplo mais emblemático disso. Mas não há como não ressaltar o trabalho, igualmente brilhante, do elenco: da ferocidade de Brian Cox à atuação contida e levemente debochada de Sarah Snook, passando pelas idiossincrasias que Jeremy Strong e Kieran Culkin trouxeram a seus personagens e pela mistura de humor e tristeza que McFayden deu a seu Tom, os atores da série entregaram algumas das melhores performances do ano. 

Ao fim, Succession consagra sua terceira temporada cheia de dramas e nuances como a melhor até agora – e uma das melhores coisas que TV americana produziu este ano.

Succession
Em andamento (2018- )
Succession
Em andamento (2018- )

Criado por: Jesse Armstrong

Duração: 3 temporadas

Nota do Crítico
Excelente!

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