Stuart Não Consegue Salvar o Universo, mas diverte velhos e novos fãs
Nova série expande - e muito - o universo de The Big Bang Theory
Stuart Bloom (Kevin Sussman) passou várias temporadas sendo o personagem mais cronicamente azarado de The Big Bang Theory. Dono de uma loja de quadrinhos que vivia à beira da falência, eternamente sozinho e com uma autoestima inversamente proporcional ao carisma que o tornava adorável, ele era o tipo de coadjuvante que rouba cenas justamente porque nunca tenta. Escolhê-lo como protagonista de um spin-off era, portanto, uma aposta tão absurda quanto perfeita. Stuart Não Consegue Salvar o Universo entende isso e, na maior parte do tempo, sabe exatamente o que está fazendo com ele.
A premissa é simples no melhor sentido: Stuart quebra acidentalmente um dispositivo criado por Sheldon e Leonard e desencadeia um colapso multiversal que só ele, sua namorada Denise (Lauren Lapkus), o geólogo Bert (Brian Posehn) e o insuportável Barry Kripke (John Ross Bowie) podem consertar. O que a série faz com esse ponto de partida é mais interessante do que parece à primeira vista. Ao jogar Stuart num universo de ficção científica com efeitos visuais e realidades alternativas, Chuck Lorre e Bill Prady não apenas mudam o cenário mas o tom inteiro da franquia. Pela primeira vez, o universo de The Big Bang Theory tem riscos reais.
Essa renovação de formato é onde a série brilha com mais consistência. A ficção científica não é usada como enfeite, mas como mecanismo cômico genuíno. As versões alternativas dos personagens conhecidos — um dos grandes atrativos da temporada — funcionam porque subvertem expectativas construídas ao longo de doze anos. Ver os protagonistas de The Big Bang Theory em configurações que nunca seriam possíveis na série original é o tipo de recompensa que faz o fã veterano parar o episódio para processar antes de continuar. As participações especiais são, sem exagero, alguns dos momentos mais divertidos da temporada, e o elenco original claramente se diverte com a liberdade que o formato permite.
O problema é que a série demora para chegar lá. Os primeiros episódios têm um ritmo que oscila entre a apresentação do novo mundo e a necessidade de reposicionar personagens que, para quem não veio de The Big Bang Theory, ainda precisam de contexto. A relação entre Stuart e Denise, por exemplo, é tratada como algo que o espectador já conhece e valoriza — o que é verdade para os fãs da série original, mas cria uma distância para quem chega sem essa bagagem. O mesmo vale para a dinâmica de Kripke, cujo humor funciona em camadas que dependem de você já tê-lo detestado carinhosamente por anos. Sem esse histórico, algumas das piadas mais afiadas da temporada perdem parte da força.
Stuart Não Consegue Salvar o Universo é, portanto, uma série que sabe quem é seu público principal e faz escolhas criativas pensando nele. Isso não é necessariamente um defeito, mas é uma limitação que vale nomear. Para quem cresceu com Sheldon, Leonard, Penny e a turma, a temporada funciona como uma celebração generosa e inventiva de um universo que parecia esgotado. Para quem chega sem esse histórico, a série é competente e divertida, mas falta uma camada de contexto que teria tornado a experiência mais completa. No fim, Stuart continua sem conseguir salvar o universo. Mas consegue salvar, com algum esforço, a atenção do espectador.
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário