Stranger Things: Histórias de 85 abusa da criatividade para restaurar nostalgia
A série animada estreia com 10 episódios nesta quinta-feira (23) na Netflix
Créditos da imagem: (Divulgação/Netflix)
As primeiras notas características da abertura não escondem… quatro meses depois do fim de Stranger Things, estamos de volta a Hawkins. Mas em poucos segundos, a própria música de abertura toma um novo rumo e nos alerta: o universo continua, mas agora de uma forma diferente.
Stranger Things: Histórias de 85 volta para o período entre a segunda e a terceira temporada da série original, mas agora em animação. Na história, algumas partículas do Mundo Invertido ficaram em Hawkins mesmo após o portal ser fechado por Eleven e elas estão evoluindo e ficando cada vez mais fortes. É aí que o grupo se junta para impedir novas tragédias.
A animação traz aquele senso de familiaridade dos primeiros anos da série e isso talvez seja seu maior atrativo logo de cara. É até estranho o fato de que Eleven, Mike, Will, Lucas, Dustin e Max não sejam dublados pelos atores que os deram vida em live-action, porque suas novas vozes ainda trazem as mesmas inflexões e trejeitos das que conhecemos por tanto tempo. Quase parece que nada mudou.
Mas o maior ponto positivo de Histórias de 85 é que a dupla de roteiristas, Joshua Pruett (Phineas e Ferb) e Jennifer Muro (Star Trek: Prodigy), e o diretor Phil Allora (envolvido em Lilo & Stitch, Tarzan e Mulan) sabem aproveitar todas as possibilidades que a animação oferece. Todas as cenas são bonitas e coloridas, e todos os seres do Mundo Invertido ganham um brilho especial e muita textura em tela.
A criatividade continua nas cenas de ação, que usam vários recursos diferentes para evoluir as batalhas a cada episódio e deixar os riscos cada vez maiores. Claro, os personagens ainda dependem muito dos poderes de Eleven e nunca temos dúvidas de que ela vai conseguir se recuperar de um golpe a tempo, mas a intensidade com que a batalha final é construída talvez tire mais o nosso fôlego do que a morte do Vecna no episódio final de Stranger Things.
E em meio a tantas cenas bonitas e criativas, Histórias de 85 se sustenta mesmo pelos laços e conexões entre os personagens que, desta vez, são realçados pela introdução de uma nova personagem: Nikki (Odessa A'zion). Ela é filha da professora de ciências substituta e logo se enturma com o grupo.
Nikki usa seu tamanho para espantar os valentões, mas após anos se mudando constantemente com a mãe nunca tinha feito amizades de verdade. Então, é emocionante ver o quanto ela vai se conectando a cada um dos personagens, principalmente Will. Nikki confronta toda a proteção de Mike em cima do melhor amigo e o ajuda a confiar em si mesmo para se defender. É quase uma versão da Robin antes dela mesma aparecer pela primeira vez na terceira temporada.
Inclusive, Histórias de 85 parece ter intenção de continuar expandindo sua história. Há vários easter eggs sobre a inauguração do Starcourt Mall e o Scoops Ahoy, além do futuro em aberto de Nikki. Ela ainda não foi embora, mas certamente a série vai dar um motivo para ela não ter aparecido nos live-actions, agora só nos resta saber qual. E, depois dessa primeira temporada, a gente torce para que essa justificativa venha o quanto antes.
Stranger Things: Histórias de 85
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