Stranger Things: Histórias de 85 | 2ª temporada traz frescor ao sair do Mundo Invertido
A animação cria novos vilões e monstros mantendo a essência dos personagens
Créditos da imagem: (Divulgação/Netflix)
Se tem um fato que se torna cada vez mais decepcionante ao longo dos oito episódios da segunda temporada de Stranger Things: Histórias de 85 é a percepção de que essa série realmente deveria ter sido lançada antes. É triste que uma animação tão divertida, criativa e visualmente linda seja vista por uma audiência limitada por conta do timing.
Em seu segundo ano, lançado apenas cinco meses depois da estreia da série em abril, Histórias de 85 avança apenas um mês na trama. Depois de passarem pelo frio de janeiro, agora o nosso grupo conhecido se prepara para o “Valentine's Day", o dia dos namorados norte-americano, que acontece em 14 de fevereiro.
É interessante esse ser o pano de fundo para a temporada porque permite bons momentos entre Eleven (Brooklyn Davey Norstedt) e Mike (Luca Diaz) – e ótimos momentos entre Lucas (Elisha Williams) e Max (Jolie Hoang-Rappaport), que têm uma relação um pouco mais movimentada aqui, mas com momentos fofíssimos conforme eles vão se acertando. Mas, mais do que isso, o Dia dos Namorados traz um protagonista inusitado na nova mitologia introduzida na série: as flores.
Stranger Things: Histórias de 85 começa com dois mistérios: plantações e mais plantações de flores brilhantes que começam a surgir em Hawkins, mas, que, aos poucos, vão se revelando grandes sugadoras de energia para quem está por perto; e… um fantasma. Para a escola, as crianças fazem um projeto sobre a história da cidade e se deparam com a maldição do Bill Sanguinário, um suposto assassino que trabalhava na mina.
Inicialmente, a série se esquece do Mundo Invertido para focar em uma área sobrenatural que talvez esteja mais próxima da nossa realidade, e é aí que a dupla de roteiristas, Joshua Pruett (Phineas e Ferb) e Jennifer Muro (Star Trek: Prodigy), mais acerta. Apostar em medos básicos de crianças e pré-adolescentes em vez de cair mais uma vez em um grande monstro do Mundo Invertido traz um frescor que Stranger Things já estava precisando faz tempo.
A ideia de um fantasma revela momentos divertidos e outros genuinamente assustadores, especialmente espelhados através do próprio medo entre os personagens ou a vontade deles de parecerem mais corajosos na frente dos amigos.
Mike tem uma jornada bem desenvolvida em relação a superar medos, inclusive, e, mesmo sabendo que os eventos da animação não são canônicos em relação à série original, ainda é difícil não pensar em como eles parecem se encaixar perfeitamente nos personagens que acabamos encontrando na terceira temporada do live-action.
Dustin (Braxton Quinney) é o líder das investigações e protagoniza momentos realmente engraçados em sua saga, especialmente com a introdução de um novo personagem, o incompreendido Charlie (Benjamin Valic). Os dois formam uma dupla divertida e, melhor ainda, que não tenta replicar a dinâmica de Dustin com Steve, apesar do personagem mais velho não dar as caras dessa vez.
O maior desafio do roteiro continua sendo o que fazer com Will (Benjamin Plessala). Ele teve bons momentos de superação na primeira temporada e ótimas trocas com Nikki (Odessa A'zion), mas, no segundo ano, parece quase perdido entre os acontecimentos e sua jornada é esquecível.
De toda forma, a segunda temporada de Stranger Things: Histórias de 85 é ainda melhor que a primeira. Com um terreno mais consolidado, a série aproveita para expandir a fantasia, com direito a animações criativas e visuais que, literalmente, brilham na tela. Tudo isso sem perder a essência de Stranger Things e desses personagens pelos quais nos apaixonamos há dez anos.
Stranger Things: Histórias de 85
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