Stargirl

Créditos da imagem: CW/Divulgação

Séries e TV

Crítica

2º ano de Stargirl aprofunda personagens sem abrir mão da farofa

Agora na CW, série mantém comprometimento com o tom da Era de Ouro dos Quadrinhos

Nico Garófalo
04.11.2021
17h03

É fácil para quem nunca viu um episódio sequer de Stargirl dispensar a série depois de ver o visual inegavelmente ridículo dos integrantes da Sociedade da Justiça da América. Esse preconceito, alimentado por 15 anos de trajes de super-heróis táticos e, na medida do possível, realistas, impede essa parcela do público de perceber que esses uniformes são o cartão de visitas perfeito da produção, cuja proposta é proporcionar uma diversão que não se leva a sério. Em sua segunda temporada, “herdada” pela CW após o fim do DC Universe, o programa conseguiu equilibrar sua saudável farofa com o drama adolescente característico da emissora.

Escrita como uma homenagem à Era de Ouro dos Quadrinhos e aos heróis da Terra-2 da DC Comics, Stargirl manteve em seu segundo ano o otimismo inocente que apresentou desde seu primeiro episódio, transmitido em 2020. Enquanto outras séries do gênero veem na hiperracionalização do fantástico um sinônimo para “amadurecimento”, a produção comandada por Geoff Johns (criador da personagem-título) e Melissa Carter não perde tempo tentando explicar cada superpoder ou como eles funcionam. Apoiada na suspensão da descrença, o seriado aceita o absurdo de sua história com naturalidade e encoraja o espectador a fazer o mesmo.

Essa compreensão também fica clara no trabalho do elenco, que parece se divertir com os diálogos cafonas e planos mirabolantes de seus personagens. Confortáveis em seus papéis, Brec Bassinger, Luke Wilson e Anjelika Washington elevam o trabalho de seus colegas, incluindo os ainda tímidos Cameron Gellman e Yvette Monreal. É Jonathan Cake, no entanto, quem mais se deleita com a ideia de não se levar a sério demais. O carisma dado pelo ator ao Sombra faz com que seja quase impossível tirar os olhos da tela quando o vilão/anti-herói está em cena.

O apreço pela galhofa não quer dizer, no entanto, que Stargirl não tenha seus momentos dramáticos. Ao longo dos 13 capítulos da temporada, a série mostra os heróis, veteranos e novatos, questionando suas próprias identidades. Usando o vilão Eclipso (Nick E. Tarabai e Milo Stein) como a personificação de todas as dúvidas e ansiedades sentidas pelos protagonistas, o novo ano dá sequência ao crescimento emocional e psicológico iniciado em 2020.

A migração para a CW, no entanto, não acontece sem alguns deslizes. Como já é de praxe na TV norte-americana, Stargirl tem alguns episódios inchados, com diálogos e conflitos que pouco refletem no decorrer da temporada e deixam algumas tramas cansativas. Mike (Trae Romano), personagem que mais cresce no segundo ano, dá algumas voltas desnecessárias antes de chegar à sua conclusão lógica, que teria um impacto maior caso fosse alcançada de maneira mais ágil.

As sequências de ação também sofrem uma pequena queda de qualidade do que foi apresentado na temporada anterior. Ainda que tragam coreografias criativas que ressaltam as habilidades individuais de heróis e vilões, os efeitos visuais de Stargirl deixam a desejar, especialmente durante as aparições de Solomon Grundy, Relâmpago (Jim Gaffigan) e Jade (Ysa Penarejo), cujos poderes dependem da computação gráfica para serem levados às telas.

Ainda assim, o segundo ano de Stargirl cumpre mais uma vez suas principais promessas: divertir e homenagear a gênesis dos super-heróis da DC. Com o coração no lugar certo, a temporada entrega aquele entretenimento puro e colorido esperado por qualquer fã da Era de Ouro dos quadrinhos.

Stargirl
Em andamento (2020- )
Stargirl
Em andamento (2020- )

Criado por: Geoff Johns, Greg Berlanti

Duração: 2 temporadas

Nota do Crítico
Ótimo

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