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Crítica

Star Wars Rebels - 1ª Temporada | Crítica

Nostalgia domina, mas não limita, o primeiro produto da LucasFilm na era Disney

Natália Bridi
09.03.2015
15h59
Atualizada em
29.06.2018
02h46
Atualizada em 29.06.2018 às 02h46

Quando a Disney comprou a LucasFilm, uma mistura de otimismo e medo tomou conta dos fãs de Star Wars. O sucesso do Marvel Studios mostrava que a gigante do camundongo sabia o que estava fazendo, mas a experiência com os prelúdios tinha deixado um gosto amargo sobre qualquer nova produção do universo criado por George Lucas

Star Wars: Clone Wars era a exceção. A série animada situada entre os episódios II e III era mais fiel ao espírito da franquia do que os novos filmes e resultou em personagens importantes para o cânone e queridos pelos fãs, como Ahsoka Tano, a padawan de Anakin Skywalker. Star Wars Rebels, a animação que substitui Clone Wars na fase Disney, segue o mesmo caminho. Primeiro produto oficial da “nova direção”, a animação idealizada por Dave Filoni, Simon Kinberg e Greg Weisman sabe como agradar novos e antigos admiradores.

Situada entre os episódios III e IV, Rebels é claramente nostálgica, não só pela aparição de figuras clássicas como Darth Vader, Yoda, Lando Calrissian e Grand Moff Tarkin, mas pelo visual, inspirado nas artes conceituais de Ralph McQuarrie para a trilogia original. O tom segue com os novos personagens, principalmente Zeb, que reaproveita o design descartado para Chewbacca, e nos cenários, uma perfeita sintonia entre a computação gráfica e a textura das ilustrações físicas.

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Rebels também segue a mesma jornada: Ezra, o protagonista, é um garoto órfão à la Aladdin que descobre o caminho da força ao cruzar com a tripulação da Ghost. A dinâmica mestre/aprendiz construída com o Jedi Kanan ao longo da temporada é uma boa introdução para o público que não acompanhou a relação entre Obi-Wan Kenobi  e Luke Skywalker. Ao mesmo tempo, a formação da Aliança Rebelde resgata a aura de aventura da franquia. A busca por suprimentos e a malandragem pirata lembram o faroeste espacial de Firefly (série de Joss Whedon que por sua vez foi inspirada na Millennium Falcon e em Han Solo).

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Personagens femininas como a piloto Hera Syndulla, a mandaloriana Sabine Wren ou a ministra imperial Maketh Tua mostram a tendência de uma abordagem mais equilibrada  para as mulheres na franquia, que antes centrava seus esforços sempre em uma única mulher, a começar pela Princesa Leia. A revelação, ao final da temporada, da identidade de Fulcrum, o contato secreto de Hera, corrobora essa inclinação.

A série também acerta no vilão. O Inquisidor é uma mistura de tudo o que foi visto até agora - Darth Maul, Conde Dooku, General Grievous e Vader - em uma embalagem nova e ameaçadora. O mesmo vale para as armas, modificações leves, mas interessantes, como o sabre de luz duplo e arredondado do Inquisidor ou o misto de blaster e sabre de Ezra.

A palavra que define Star Wars Rebels é renovação. Feita por profissionais que cresceram neste universo, a série embalada pela trilha de John Willians se conecta facilmente com o velho público, mas não falha em formar um novo espectador. Não deixa de ser uma série infantil, feita para uma geração com curtos períodos de atenção, que precisa de uma trama que se desenvolva à velocidade da luz. Seu primeiro ano, porém, é repleto de sutilezas. Detalhes que deram alma à franquia original e que agora reacendem aquela velha esperança.

Nota do Crítico
Ótimo