Star Trek: Strange New Worlds | 4ª temporada é pura aventura, mas exagera no tom
Episódios temáticos divertem, mas parecem repetitivos conforme a temporada avança
Star Trek chega aos seus 60 anos em um momento de crise. No cinema, os novos filmes não saem do papel. Na TV, a franquia, que já teve cinco produções no ar ao mesmo tempo, comemora suas seis décadas com Starfleet Academy esperando um segundo ano que já será o final, enquanto Strange New Worlds caminha para encerrar sua trajetória em 2027. Ainda assim, com a chegada de sua 4ª temporada, a produção ambientada no universo criado por Gene Roddenberry na década de 1960 segue como uma das melhores produções da franquia desde a Série Original e A Nova Geração.
Depois de um final emocionante e do sacrifício da Capitã Batel (Melanie Scrofano), encontramos a tripulação da U.S.S. Enterprise seguindo com suas missões, enquanto Pike (Anson Mount) ainda precisa lidar com a perda de seu amor. Novas dinâmicas surgem, como a rusga entre Scotty (Martin Quinn) e Ortegas (Melissa Navia), que não se bicam sobre priorizar o controle de velocidade da nave ou pilotar sem medo de causar danos. O primeiro episódio é um clássico de Star Trek, envolvendo viagem no tempo e a possibilidade de alterar o futuro — um recomeço perfeito para essa jornada, que ainda traz um toque especial: dinossauros.
A quarta temporada aposta em episódios focados em temáticas e gêneros diferentes. Alguns funcionam muito bem, enquanto outros pesam um pouco na mão, tornando a experiência interessante, mas cansativa, já que deixa uma sensação de falta de foco. Entre os destaques positivos está “The Griffin Incident”, o segundo capítulo, uma história de terror passada dentro de uma nave abandonada envolvendo La’An (Christine Chong), Spock (Ethan Peck) e Kirk (Paul Wesley). Já “Human Best Friend”, o terceiro episódio, aposta na comédia rasgada, entregando uma hilária versão Se Beber, Não Case! no espaço, com direito a Una (Rebecca Romijn) cantando "Total Eclipse of the Heart" em klingon.
Por outro lado, episódios como “A Case of Chiaroscuro”, um noir em preto e branco envolvendo klingons, e “Level Five Transporter Incident”, o aguardado capítulo com fantoches, parecem cruzar a linha do mero charme estilístico. Por mais que tragam boas histórias - especialmente no desenvolvimento de M’Benga (Babs Olusanmokun) e de Una, que recebe uma promoção aqui -, são tramas que envolvem muito mais pela estética do que pela narrativa em si. É inegável que Strange New Worlds conquistou o público com seus episódios temáticos, mas a fórmula parece ter inebriado os criadores: dos seis episódios a que tivemos acesso, quatro se debruçam sobre esses formatos experimentais.
Para uma série que caminha para o fim, essa escolha pode frustrar os fãs que esperavam histórias focadas na dinâmica da Enterprise, em conflitos políticos e em crises mais profundas.
Ainda assim, Strange New Worlds se mantém como um dos melhores projetos de Star Trek em décadas. O carisma do elenco é indiscutível, assim como a força das referências ao futuro, quando Kirk assumirá o comando ao lado da tripulação clássica. No entanto, é impossível não enxergar esta quarta temporada - ao menos em sua primeira metade - como um ano filler em preparação para o grand finale.
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