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Crítica

Star Trek: Academia da Frota Estelar mira nova geração de fãs e acerta em cheio

Produção tem foco claro na audiência mais jovem, entretanto, não esquece o que fez o universo de Gene Roddenberry ser o que é

Omelete
4 min de leitura
16.01.2026, às 09H00.
Atualizada em 16.01.2026, ÀS 17H32

Como James T. Kirk chegou ao comando da USS Enterprise? Onde Uhura se tornou uma das maiores especialistas em comunicações da Frota? E em que momento Jean-Luc Picard construiu o conhecimento que o tornaria um dos capitães mais respeitados da história? Star Trek já respondeu parte dessas perguntas ao longo dos anos — algumas com mais atenção, como no filme dirigido por J.J. Abrams em 2009 —, mas a base de formação da Frota Estelar sempre foi um terreno pouco explorado. Star Trek: Academia da Frota Estelar surge exatamente para preencher essa lacuna.

Lançada no ano em que o universo criado por Gene Roddenberry completa 60 anos, a nova série acompanha jovens cadetes em sua jornada de aprendizado, conflitos e descobertas dentro da principal instituição da Frota Estelar. Para contar essa história, os criadores Gaia Violo, Noga Landau e Alex Kurtzman — responsável por comandar Star Trek na TV desde Discovery — optaram por ambientar a trama cerca de mil anos após a série original. A decisão é estratégica: evita conflitos com o cânone e ainda abre espaço para homenagens que atravessam toda a franquia.

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Essas referências estão espalhadas com carinho, indo de nomes como James T. Kirk e Benjamin Sisko — com uma lembrança especialmente emocionante a Avery Brooks — até detalhes que só fãs atentos reconhecem, como Mr. Boothby, o jardineiro da Academia apresentado em A Nova Geração. É uma celebração do passado que não engessa a narrativa.

Star Trek
Reprodução

Ainda assim, o grande objetivo de Academia da Frota Estelar é claro: renovar o público de Star Trek. A série abraça sem medo a estrutura de histórias sobre jovens adultos em ambiente escolar ou universitário. Há conflitos entre grupos, romances atravessados por rivalidades, diferenças de personalidade, dramas familiares e a clássica divisão entre o descolado, o nerd e o deslocado. A diferença está na forma como esses elementos se conectam aos valores centrais da franquia.

Aqui, uma aula de debate se transforma em uma discussão profunda sobre o papel da Frota Estelar e seus limites éticos ao interferir em outras culturas. Uma briga entre duas “escolas” vira uma lição sobre liderança, responsabilidade e trabalho em equipe. A série entende que crescer também é aprender a lidar com dilemas morais — algo que sempre definiu Star Trek.

No centro disso tudo está Holly Hunter, excelente como a capitã e chanceler da Academia. Fugindo do arquétipo rígido da “diretora da escola”, Hunter entrega uma personagem leve, irônica e humana, mesmo carregando traumas e desejos de reparação. Sua dinâmica com o protagonista Caleb Mir (Sandro Rosta) funciona exatamente como esperado: uma relação de aprendizado mútuo, erros compartilhados e decisões que podem moldar o futuro de ambos.

Star Trek
Reprodução

O contraponto vem com Paul Giamatti, que rouba a cena como Nus-Braka, um vilão meio Klingon e meio Tellarite. Debochado e perigoso na mesma medida, ele protagoniza um dos melhores momentos da temporada ao confrontar a capitã-chanceler Nahla Ake, misturando passado e presente de forma tensa e reveladora.

É provável que Star Trek: Academia da Frota Estelar encontre resistência de parte dos fãs mais antigos, que podem sentir que a série “não foi feita para eles”. Mas, como o próprio Giamatti disse em entrevista ao Omelete, depois de seis décadas, “quem sabe o que os fãs antigos vão pensar?”. A franquia já viveu momentos de glória, outros nem tanto, um longo hiato entre Nêmesis e o filme de 2009, e um retorno avassalador à TV com seis séries em menos de dez anos. Olhar apenas para trás não é uma opção.

A verdade é simples: sem novos fãs, Star Trek corre o risco de sobreviver apenas como memória. E Academia da Frota Estelar entende isso sem trair sua essência.

Tal qual um bom processo educacional, a série nunca esquece os fundamentos de Jornada nas Estrelas. Em um dos momentos mais marcantes da temporada, o tema clássico dos Klingons ecoa durante uma lição que impacta não só o jovem Jay-Den (Karim Diane), mas também a chanceler, o almirante e toda a tripulação da USS Athena, a nave-escola da trama. É em momentos assim que a série deixa claro seu convite: descobrir o novo sem ignorar o que veio antes.

“Ex astris, scientia.” Das estrelas vem o conhecimento. 60 anos depois, Star Trek: Academia da Frota Estelar prova que ainda existem novos caminhos, novas civilizações e boas razões para a franquia continuar indo, com confiança, onde jamais esteve.

Nota do Crítico

Star Trek: Academia da Frota Estelar

Criado por: Gaia Violo, Noga Landau e Alex Kurtzman
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