Foto de She-Ra e as Princesas do Poder

Créditos da imagem: She-Ra e as Princesas do Poder/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

She-Ra e as Princesas do Poder - 2ª temporada

Novos episódios continuam focando em amadurecimento, mas com trama mais leve

Camila Sousa
12.06.2019
14h19

A nova animação de She-Ra foi uma boa surpresa na Netflix. Enquanto muitos fãs não se sentiram confiantes com o visual inédito da personagem e a ausência do He-Man, a série mostrou que não precisa de nada disso para contar uma história envolvente e divertida. Na segunda temporada, lançada poucos meses após a primeira, o foco continua sendo o amadurecimento de Adora, mas a trama é mais leve, deixando momentos mais densos apenas para o final.

O foco dos primeiros capítulos continua no treinamento da protagonista para se tornar a melhor versão de She-Ra. A jovem permanece atormentada pelos erros das heroínas que vieram antes dela e sente um grande peso: o destino de Etérnia está em suas mãos e ela não pode falhar. Curiosamente, isso faz um paralelo com a jornada de Felina na Horda. Mesmo assumindo o lugar de Sombria e conquistando vários territórios, ela não se sente segura. Ainda com o peso de ter crescido na sombra de Adora, a personagem quer a aprovação de Hordak o tempo todo e deixa tal sentimento comandar as suas ações.

Com tal pano de fundo, os primeiros episódios da segunda temporada são leves e caminham mais devagar do que na primeira. Há, por exemplo, um capítulo que brinca com a estrutura de jogos de RPG, com todas as princesas falando como colocariam em prática um plano perfeito. O que torna She-Ra e as Princesas do Poder um desenho especial é que, mesmo em tais momentos, há um ou outro ensinamento importante. Há, por exemplo, um grande discurso do Arqueiro sobre a importância de não agir igual aos vilões e não se tornar um deles. Cintilante questiona tamanha honestidade frente à alguém que não é honesto, mas a mensagem fica clara: agir com bondade jamais será errado.

Infelizmente, as demais princesas têm pouco espaço no segundo ano. Ao mostrar o desenvolvimento de Adora de um lado e as frustrações de Felina no outro, o conjunto de apenas sete episódios não tem tempo para falar muito sobre o dia a dia de outros personagens. O único que ganha bons momentos é o Arqueiro, em uma trama que passa rápido, mas vale a pena. De modo didático, o personagem fala sobre revelar para a família quem realmente é, e a importância de ser aceito por isso. Talvez algumas frases sejam explicativas demais, mas é importante lembrar que She-Ra é, acima de tudo, um desenho para jovens e crianças. Por isso é importante que algumas mensagens sejam realmente claras para que o ensinamento contido ali (neste caso de amor e tolerância) seja totalmente passado.

Perto do encerramento da temporada, a série faz uma escolha ousada e mostra o passado de uma de suas maiores vilãs. As motivações são reveladas, mas a trama não se encerra e fica como um grande gancho a ser desenvolvido no terceiro ano, o que é uma boa escolha  para manter a curiosidade do público. She-Ra e as Princesas do Poder é uma animação sem grandes ambições, mas que conta suas histórias com muita honestidade e emoção. É impossível não sentir empatia pela jornada dos personagens e isso por si só já vale a maratona.

Nota do Crítico
Bom