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Crítica

Santa Clarita Diet - 2ª temporada | Crítica

Quando o gore encontra a comédia

Aline Diniz
09.04.2018
20h07
Atualizada em
12.04.2018
20h25
Atualizada em 12.04.2018 às 20h25

Santa Clarita Diet é uma das comédias mais inusitadas da TV atualmente. Enquanto a primeira temporada estabeleceu bem os personagens e a situação que eles enfrentariam depois da transformação de Sheila (Drew Barrymore), o segundo ano começa a desenvolver cada vez mais sua própria mitologia zumbi. Curiosamente, por mais que já tenhamos visto mitologias diferentes de mortos-vivos, essa é ainda mais especial por introduzir novas características ao subgênero - mas, acima de tudo, por trazer tudo em um pacote cômico.

Nos novos episódios, já conhecemos melhor Sheila e seus hábitos, então chega exatamente o momento de tratar a mitologia com um pouco mais de profundidade. Sendo assim, Joel (Timothy Olyphant), Abby (Liv Hewson) e Eric (Skyler Gisondo) dedicam-se a pesquisar tratamentos, curas e principalmente a causa da "doença", tudo isso enquanto o casal Hammond busca por regras para determinar quais são as vítimas permitidas em sua caçada. Enquanto isso, o cerco de suspeita começa a se fechar ainda mais ao redor da família, criando ainda mais tensão em meio à comédia.

Despretensiosa e leve, Santa Clarita Diet não se leva a sério em nenhum momento. Fica claro que a série definitivamente não tem a intenção de reinventar a mitologia zumbi e muito menos a comédia, mas sim trazer algo que seja de certa forma diferente ao formato pré-determinado de ambos - e é exatamente assim que nos deparamos com uma cabeça morta-viva em mais da metade dos episódios da temporada. A piada sempre funciona pelo fato da realidade estabelecida na série ser completamente fora do comum, introduzindo elementos sobrenaturais ao dia a dia de personagens mundanos.

Além disso, a série também tem um componente caricaturesco importante. Acima de tudo, estamos acompanhando uma comédia sobre uma família no subúrbio, então toda a paleta de cores é viva, as cenas são sempre bem iluminadas e a graça vem exatamente da disparidade das situações com relação ao visual. Quando o brilho da paleta serve para deixar o sangue das vítimas de Sheila ainda mais vistoso e vermelho, o fato dela matar pessoas para sobreviver entra no segundo plano e a piada se torna ainda mais interessante.

A atuação exagerada de todo o elenco também ajuda quando a ideia é mostrar como ninguém está pronto para lidar com aquela situação - mas o campeão é Olyphant em absolutamente todos os seus surtos supersônicos. O pânico sem tamanho de Joel é o que mais liga a série com a realidade, mas é também o amor dele por Sheila que faz com que as novas atitudes de matar e comer seres humanos não pareçam tão absurdas assim assim.

Apesar de Santa Clarita Diet ser diferente, interessante e revigorante, curiosamente ela não é essencial. Ao se aprofundar na mitologia da transformação de Sheila, a trama torna-se mais interessante e cativante, mas ainda falta uma certa complexidade à história para que a conexão do espectador com a produção seja mais intensa - algo que pode vir a acontecer no terceiro ano ainda não confirmado do programa. Até agora, Santa Clarita segue sendo aquela série sem lições de moral, que não desenvolve qualquer tipo de reflexão ou ideal. É somente meia hora de entretenimento bem-humorado.

Nota do Crítico
Ótimo