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Crítica

Riverdale - 1ª temporada | Crítica

Mesmo problemática, seriado da Turma do Archie acerta a mão nos personagens

Arthur Eloi
12.05.2017
16h51
Atualizada em
12.05.2017
17h07
Atualizada em 12.05.2017 às 17h07

A CW já dominou o gênero de heróis na TV mas seu lado de séries adolescentes, raíz do canal, anda deixando a desejar quando se trata de conteúdo inédito. Alguns novos seriados foram pensados para solucionar isso, mas apenas um sobreviveu à alta demanda do público, ganhando até mesmo uma renovação: Riverdale, a adaptação televisiva de A Turma do Archie.

O seriado apresenta uma versão sombria dos quadrinhos, acompanhando o desenrolar de um estranho assassinato que impacta a vida de todos os moradores da cidade. Rapidamente descobrimos que as coisas não são como aparentam, e que todo mundo tem um podre a esconder. É a mesma abordagem utilizada na icônica Twin Peaks, grande influência visual e de tom para o seriado. O que diferencia Riverdale também parte da mesma ideia que David Lynch aplicou em seu clássico de 1990: a mistura de gêneros.

A trama foca-se no cotidiano de Archie (K.J. Appa) e sua turma de amigos, abordando temas como intrigas entre famílias, ansiedade e, é claro, relacionamentos. Por mais que isso seja maçante para muitos, o programa apresenta personagens com carisma o bastante para te manter interessado mesmo com os problemas mais mundanos possíveis

Além disso, a morte de Jason Blossom (Trevor Stines), fio condutor da narrativa, raramente é deixada de lado. A busca pelo assassino do garoto serve como tópico de debate e motivação em quase todo capítulo, sempre avançando o enredo ao mesmo tempo que desenvolve os protagonistas. Riverdale consegue alcançar um bom balanço entre uma história de investigação e drama adolescente.

É claro que isso não significa que não há erros. Enquanto o carisma dos personagens disfarça, é complicado não notar o quão limitado o elenco é. Frequentemente a história toma rumos dramáticos que os atores não estão preparados para enfrentar. Isso resulta em cenas sem emoção, no melhor dos casos, e lamentáveis, no pior.

Isso não se aplica à todos. O núcleo adulto, vivido por atores de séries de TV clássicas como Luke Perry (Barrados no Baile) e Mädchen Amick (Twin Peaks) e de filmes como Skeet Ulrich (Pânico), assume o papel dos pais dos adolescentes e traz performances de respeito, acertando a mão nos que os jovens erram. Jughead Jones, interpretado por Cole Sprouse (Zack & Cody: Gêmeos em Ação), também é um grato destaque. O menino consegue passar o ar excêntrico e misterioso que o personagem necessita, carregando o enredo sozinho por muitas vezes. Infelizmente seu caso não é regra, e os demais intérpretes deixam a desejar.

O roteiro também não ajuda. Os primeiros episódios são altamente explicativos, constantemente abusando da capacidade de compreensão do espectador ao encaixar toneladas de informação em diálogos supostamente comuns. Por mais que eventualmente a escrita encontre sua voz, não é difícil dar de cara com falas vergonhosas mesmo nos momentos finais, como o infame discurso de Jughead durante sua festa surpresa.

Cherryl Blossom (Madeline Petsch), irmã da vítima, é um ótimo exemplo disso: durante toda a série a caracterização da garota é inconsistente, fraca e difícil de crer, apesar dela ter potencial para ser um dos rostos mais marcantes da narrativa.

Riverdale surpreende pelo bom equilíbrio entre gêneros, ótima qualidade artística e personagens divertidos e marcantes, porém há muito o que melhorar. Conversações mal escritas e atuações medianas não passam muita confiança para uma segunda temporada, ainda mais com um gancho final pouco convincente e gratuito.

A suposta introdução de elementos sobrenaturais talvez leve o programa em direções mais interessantes. Se não for o caso, a história da cidade e seus habitantes foi cativante o suficiente para 13 episódios agradáveis, ainda que problemáticos.

Nota do Crítico
Bom