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Crítica

Punho de Ferro - 1ª temporada | Crítica

Falta misticismo na série mística da Marvel na Netflix

Aline Diniz
17.03.2017, às 15H38
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H44
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H44

A promessa de Punho de Ferro já pairava sob a parceria entre a Marvel e a Netflix desde que ela foi anunciada, junto de suas companheiras Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage. A ideia era que cada um dos personagens representasse algo na equipe que se formará a seguir, trazendo unidade e diversidade aos Defensores .

Até então, todos os heróis apresentaram uma ótima nova personalidade e qualidades úteis ao grupo, ao qual Danny Rand (Finn Jones) traria o misticismo e as artes marciais. Apesar de introduzir uma interessante mitologia com K’un-Lun e se aprofundar ainda mais na trama do Tentáculo, falta algo à Punho de Ferro. Falta o prometido misticismo.

A trama de Danny Rand é simples: após sofrer um acidente de avião nos Himalaias e perder os pais, o jovem é resgatado por monges e treinado para se tornar sua nova Arma Viva, o Punho de Ferro. Mesmo que apresente inúmeros conceitos interessantes, a série falha em lhes dar continuidade, focando apenas na dor e perda de Danny, que retorna para Nova York na intenção de vingar a morte de seus pais.

Punho de Ferro tinha tudo para não ser apenas mais um conto do herói urbano, apresentando grandiosas lutas performáticas e interessantes vilões super-poderosos - mas a série parece querer fugir disso. Enquanto não está presa em infindáveis salas de reunião, repete movimentos que já vimos nas duas temporadas de Demolidor.

Há boas lutas de Kung Fu, mas Punho de Ferro peca quando não aborda exatamente o que a diferenciaria de sua antecessora. São belos socos e chutes, mas muito semelhantes àqueles que já vimos Matt Murdock aplicando. Não fosse o brilhoso punho indestrutível, ambos os heróis seriam indiferenciáveis - e esse poder ainda é pouco usado ao longo da trama.

É compreensível que Danny, assim como seus colegas, seja falho. Ele está longe de ser um Punho de Ferro completo e precisa de ajuda para terminar seu treinamento e realmente se tornar um guerreiro - essa é a base na qual os Defensores serão formados, heróis incompletos. Por mais que pareça ser o mais despreparado dos quatro, uma das coisas que faltava no grupo era essa ingenuidade trazida por ele. O tempo todo Danny ouve conselhos, seguindo-os cegamente na esperança de acertar alguma vez - mas acaba se dando mal quase sempre. Talvez conhecendo outros heróis ele fique mais seguro de si.

Um herói não é nada sem seu vilão

Um dos problemas mais visíveis de Punho de Ferro é que a série não tem um vilão definido. O papel de nêmesis permanece quase que o tempo todo no controle do Tentáculo, mas a falta de personificação prejudica o andamento da trama. Seja Madame Gao, Bakuto, Harold ou Ward Meachum, a posição de inimigo muda muito facilmente e a ameaça nunca é a mesma, tornando o objetivo final de Danny confuso e leviano.

Em um momento ele quer vingança; no momento seguinte quer salvar os Meachum, que agora vê como sua única família restante; logo em seguida quer proteger K’un-Lun... Falta coesão à trama, que não sabe ao certo por qual caminho seguir, escolhendo soluções que às vezes parecem simples demais para grandes problemas e focando em cenas desconexas que não são necessárias para o avanço da história.

Por mais que Punho de Ferro tenha tantas questões a resolver, a série também introduz interessantes personagens, que têm seus próprios problemas pessoais. Criando profundidade e motivo, tudo é justificável na base do erro e tanto Danny quanto Colleen, Ward, Joy, Harold e até Claire são retratados como humanos tentando seu melhor o tempo todo.

Os defensores de Nova York

Por ser a última série antes de Defensores, Punho de Ferro é a mais recheada de easter eggs e referências, além de emprestar alguns personagens que completam a equação - afinal, todo o universo Marvel dos quadrinhos está conectado.

Mesmo entre falhas, é bonito ver a integração de tudo e a colaboração dos atores nas narrativas de seus personagens. Rosario Dawson é a mesma Claire Temple em todas as quatro produções e traz consigo tudo o que já passou nas temporadas anteriores como bagagem para Punho de Ferro, dando veracidade à sua personagem.

Por mais que tenha uma introdução conturbada, Danny Rand e seu Punho de Ferro serão uma boa adição ao time. A questão que fica é: como Defensores vai resolver as questões deixadas ao fim de cada uma das séries, unir a equipe e seus personagens secundários, introduzir uma ameaça e resolvê-la em apenas oito episódios? Nos resta ver pra saber.

Nota do Crítico
Regular

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