Pretty Little Liars: Um Novo Pecado compensa absurdos com seu anseio pelo terror

Créditos da imagem: HBO Max/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Pretty Little Liars: Um Novo Pecado compensa absurdos com seu anseio pelo terror

Direção competente e carisma equilibram a trama frágil (e o final estapafúrdio)

Omelete
4 min de leitura
23.08.2022, às 15H25.
Atualizada em 21.04.2023, ÀS 16H59

Harry Potter e Frodo Bolseiro não são páreo para Imogen Adams, a protagonista de Pretty Little Liars: Um Novo Pecado. A adolescente pode não ter enfrentado o mal encarnado de seu universo, mas os acontecimentos do primeiro episódio dessa série derivada já colocariam a personagem entre as mais corajosas figuras da cultura pop. Grávida solteira, Imogen começa a temporada testemunhando o aparente e assombroso suicídio de sua mãe. Mais tarde, ela é perseguida por um maníaco mascarado e descobrimos que ela não tem memória da noite que engravidou. É uma sequência de dramas que faz com que o espectador espere que ela entre em trabalho de parto a qualquer momento, mas Imogen sofre, corre, cai, é perseguida, investiga casas abandonadas, e confronta abusadores em um terror sem fim - tudo com uma barriga de nove meses de gravidez. Absurdo? Definitivamente. Mas Pretty Little Liars: Um Novo Pecado não está exatamente preocupado com a descrença do público.

Para começar, porque pega emprestada toda fantasia juvenil de sua série original, mas aperta muito mais a tensão ao se mostrar absolutamente investida no terror, território onde pode se divertir com regras e referências sem precisar se levar muito a sério. Nesse sentido, a diretora Lisa Soper, que comanda a maioria dos episódios, acerta em cheio, se inspirando em Wes Craven para criar uma série absolutamente viciada em referências. Para além da mania (por vezes irritante) de citar as inspirações de seus criadores de modo direto (sempre colocados pela cinéfila Tabby, fã de filmes de terror), Um Novo Pecado se delicia em emular sequências de Halloween e Carrie, construindo uma série adolescente surpreendentemente dedicada aos fãs de terror. Um Novo Pecado é efetivamente assustadora, com um assassino retirado 98% de Michael Myers, e pode inclusive surpreender quem espera os sustinhos juvenis da original. 

Quem não é pego pela trama - uma que acompanha a perseguição de cinco adolescentes do colégio Millwood, ligada aos crimes cometidos por suas mães em seus passados na mesma escola - pode muito bem se ver vencido por essa direção afiada de Soper, que brilha principalmente no primeiro episódio. Aqui, assim como na série original, as protagonistas são assombradas por mensagens de uma misteriosa figura que assina como “A”, mas são perseguidas também - fisicamente - pelo pseudo-Michael Myers sem identificação. Nessa jornada, que vai atrás também das matriarcas, as personagens guiam a primeira temporada em uma investigação quase consistente, apesar de claramente perigosa demais. Agora a gente pode chamar a polícia?” é talvez a frase mais dita nestes 10 episódios de Um Novo Pecado. Naturalmente, a resposta é sempre não. 

Embora seja difícil se acostumar com o número de personagens (são cinco protagonistas no tempo atual, que intercalam com o grupo de seis garotas nos flashbacks de 1999) o elenco bem montado do reboot se complementa bem, baseando-se principalmente no carisma para vencer o público. Uma vez introduzido o grupo de estudantes, o desenvolvimento de Um Novo Pecado diverte, por mais que tropece em relações que nascem e se desfazem rápido demais. E enquanto o grupo principal de estudantes funciona principalmente quando unido, isoladamente ninguém brilha mais do que Mallory Bechtel no papel das gêmeas Karen e Kelly. 

Tudo vai muito bem até que Pretty Little Liars: Um Novo Pecado aterrissa em um episódio final frustrante, que nem a direção de Soper consegue resolver. As revelações decepcionam por sua absoluta aleatoriedade (seria impossível identificar as figuras misteriosas da trama simplesmente porque a série não estabeleceu nenhuma construção a este fim) mas mais do que isso, a sequência de eventos do confronto final não faz nem sentido com a relação que foi estabelecida até aquele momento. Não é exatamente por falta de aviso; Um Novo Pecado nunca promete ser a obra da década. Mas depois de acompanhar Imogen, Tabby, Noa, Mouse e Faran por dez episódios, fica difícil testemunhar uma resolução tão randômica. 

O fim de Um Novo Pecado prejudica sua recomendação para qualquer um, mas o ponto forte deste reboot segue firme até seus últimos momentos, e pode compensar quem resolver acompanhar a série da HBO Max por sua paixão pelo terror. Entrando sem grandes expectativas de retorno, Um Novo Pecado é divertida, e se resolver seguir em frente com a mesma equipe, tem base suficiente para merecer uma nova chance. 

Nota do Crítico
Bom
Pretty Little Liars: Um Novo Pecado
Pretty Little Liars: Um Novo Pecado

Criado por: Roberto Aguirre-Sacasa & Lindsay Calhoon Bring

Duração: 1 temporada

Onde assistir:
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