Cartaz de Pretty Little Liars: The Perfectionists

Créditos da imagem: Pretty Little Liars: The Perfectionists/Freeform/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Pretty Little Liars: The Perfectionists - 1ª temporada

Série repete tramas da atração principal com bem menos charme

Camila Sousa
30.05.2019
12h12

Existem alguns temas que se repetem em séries americanas, e um deles são as histórias sobre jovens ricos que vivem uma realidade completamente diferente da maioria de seu  público. Tal formato fez sucesso com Gossip Girl, The O.C. e, em escalas menores, com Pretty Little Liars, que nunca teve a questão financeira como ponto principal, mas tinha tramas parecidas com os outros dois exemplos citados. Por isso não foi surpresa quando I. Marlene King anunciou uma série derivada, dessa vez com foco total em jovens ricos. Só que há um ponto principal para que essa - e outras - tramas funcionem: o carisma de seus personagens, algo que The Perfectionists não tem.

A série segue Ava (Sofia Carson), Caitlin (Sydney Park) e Dylan (Eli Brown), que estão na universidade e são extremamente cobrados para serem “perfeitos”. O local é um centro de estudos de elite que exige muito de seus alunos - tanto pelo lado acadêmico, quanto pelo financeiro - o que dá sentido ao título The Perfectionists. O que aproxima a trama de Pretty Little Liars é uma morte misteriosa que acontece logo no primeiro episódio, e coloca os três protagonistas como suspeitos. Em meio à tudo isso surgem Alison (Sasha Pieterse) e Mona (Janel Parrish), que estão trabalhando na instituição.

Logo de cara, o grande ponto fraco é o trio principal. Quando o seriado começa, eles se conhecem, mas não são grandes amigos e tal relação é construída ao longo dos episódios, mas não convence. Ava, Caitlin e Dylan passam por grandes problemas juntos, mas a atuação fraca e diálogos óbvios impedem que o público acredite em uma ligação maior entre eles. Ao fim da temporada, os três já estão se chamando de “família”, mas tudo parece extremamente apressado e artificial. Outro ponto que contribui para isso é a dificuldade da série em estabelecer a passagem de tempo. Fica claro que algum período se passou desde o grande acontecimento do primeiro episódio até o final, mas nunca fica claro o quanto e por isso não dá para saber quanto tempo o elenco principal passou junto.

É exatamente pela relação entre o elenco principal não funcionar que as situações absurdas de The Perfectionists são difíceis de aceitar. Pretty Little Liars também tinha momentos totalmente inexplicáveis, mas era fácil (até certo ponto) “engolir” o que acontecia, porque os personagens eram carismáticos e faziam o público “entrar na onda”, suspender a descrença e embarcar fundo nas maiores loucuras. Já no seriado derivado, coisas estranhas acontecem o tempo todo e, ao invés de serem divertidas, elas só incomodam: como quando os personagens precisam esconder uma grande quantidade de dinheiro e fazem isso no primeiro armário da sala de estar, ou quando a investigadora vivida por Klea Scott aparece “magicamente” sempre que os jovens estão tramando algo.

Recomeço de Alison

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos fãs para o lançamento de Pretty Little Liars: The Perfectionists é o retorno de Alison DiLaurentis, vivida por Sasha Pieterse. Ponto-chave de todos os acontecimentos do seriado principal, Alison, na verdade, apareceu pouco nele e sempre foi uma figura enigmática por todas as intrigas que criou. Aqui, a personagem está em um novo momento de vida, querendo ficar longe de mistérios e se desassociar da imagem anterior. Infelizmente, a construção fraca de quem é a “nova Alison DiLaurentis” prejudica muito o seriado. Se antes ela era uma figura interessante a ser explorada, aqui Alison é uma mulher apática, que apenas reage ao que acontece ao seu redor e, muitas vezes, assume um papel maternal em relação ao trio principal - algo estranho já que a diferença de idade eles parece bem pequena.

Pensando friamente na trama criada por The Perfectionists, a presença de Alison faz pouca, ou até nenhuma diferença nos acontecimentos. As histórias de Ava, Caitlin e Dylan se desenvolvem sem a participação direta da personagem, que muitas vezes está em cena apenas para marcar presença. Fica a sensação de que I. Marlene King e o canal Freeform não souberam exatamente o que queriam com a série derivada. Por um lado, há o desejo de conquistar um público novo e mais jovem, mas por outro, ainda é importante manter ligações diretas com Pretty Little Liars. Nenhum dos dois pontos é bem desenvolvido e o resultado é uma trama confusa e sem personalidade.

Como se não bastasse tudo isso, o novo seriado tem muitas repetições de acontecimentos que realmente incomodam: alguém que forja a própria morte; falsos culpados de um crime; amores proibidos entre um personagem mais jovem e outro mais velho, etc. Várias dessas narrativas já foram exploradas incessantemente na série principal, e retornam aqui sem o mesmo brilho. Como ponto positivo, a Mona interpretada por Janel Parrish aparece divertida com suas ironias de sempre, mas a personagem está tão pouco em tela que não salva todo o resto.

Até o momento, Pretty Little Liars: The Perfectionists não foi nem cancelada, nem renovada para uma possível segunda temporada. Caso continue, a série tem um longo caminho pela frente para se tornar interessante e entregar aquele gostinho de intrigas e mistérios que fez o seriado anterior conquistar seu público.

Nota do Crítico
Ruim