Percy Jackson faz a lição de casa e entrega a melhor versão de O Mar de Monstros
Série retorna madura e consciente de seus problemas do passado
Vários fatores plantaram uma desconfiança prévia sobre a qualidade da segunda temporada de Percy Jackson e os Olimpianos — e o primeiro deles está nos livros. O Mar de Monstros é o elo fraco da saga literária de Rick Riordan e adaptá-lo, por si só, requer fazer escolhas difíceis. Mas antes do livro, duas outras questões pesavam sobre a produção: o infame filme da Fox, de 2013, que deixou um gosto amargo para os fãs, e os problemas que acompanharam a primeira temporada da produção, como o entrosamento do elenco e a baixa qualidade gráfica.
No segundo ano, porém, a produção mostrou saber onde estava pisando e como superar seus pontos fracos de outrora. Dessa vez, um ano depois dos eventos de desmascarar Luke Castellan (Charlie Bushnell), recuperar o raio mestre de Zeus e salvar o mundo, Percy (Walker Scobell) retorna ao Acampamento Meio-Sangue ao lado de Annabeth Chase (Leah Jeffries) e seu meio-irmão Tyson (Daniel Diemer) após descobrir que Grover (Aryan Simhadri) está desaparecido e o acampamento corre grande perigo. Sua nova missão, então, é ir até o Mar de Monstros para recuperar o mítico Velocino de Ouro e salvar seu amigo e o acampamento.
Ciente de sua missão hercúlea de superar a primeira temporada, o novo ano da série não mediu esforços para tornar sua história mais atraente e superior a todas as desconfianças que o precederam. Mesmo sem o tom adolescente descolado do filme de 2013, a produção encontrou seu caminho explorando o romance entre Percy e Annabeth. Esse romance serviu como o guia da temporada e deu todo o tom necessário para fazer a série dar seu passo rumo à grandiosidade. E assim como a dupla, o espectador fica mais apaixonado a cada episódio.
Esse carinho se estende ainda ao elenco de apoio, que trabalhou para que os outros dramas e humores da série também funcionassem em harmonia. Dior Goodjohn, que vive Clarisse La Rue, filha de Ares, foi um dos principais motores da trama — ao lado do recém-chegado Daniel Diemer. Ambos têm a missão de aprofundar o drama da temporada com seus subtextos a respeito de exclusão, bullying e negligência paterna, enquanto para Grover restou apenas o papel de “donzela em perigo”, ou neste caso, a noiva.
Esses exemplos mostram que a produção evoluiu em seu texto ao mesmo tempo em que o elenco também melhorou seu entrosamento e desempenho individual, sendo essa a principal evolução em relação ao primeiro ano. Mas para além de roteiro e atuação, o segundo ano também trouxe melhoras técnicas importantes como no CGI e na coreografia de batalhas, visíveis na cena das Sereias, dos Hipocampos e especialmente nos olhos dos ciclopes — mas ausente na aguardada luta entre Tyson e Polifemo, que não foi mostrada na tela.
Ainda assim, com todas essas melhorias, há sempre pontos a se corrigir e um deles envolve o antagonismo. Luke Castellan segue sem o tempo de tela e o desenvolvimento necessários para um grande vilão. O jovem é atormentado por sua devoção a Cronos enquanto ainda deseja fazer coisas boas pelos seus amigos, mas as suas motivações continuam dispersas na névoa. Se a série deseja vendê-lo como uma ameaça crível, precisará mergulhar mais fundo em sua psique nas próximas temporadas.
Para o bem e para o mal, Percy Jackson e os Olimpianos trouxe a melhor versão que o Mar de Monstros poderia ter. Corrigindo os deslizes da primeira temporada, a produção retorna mais madura, visualmente competente e com uma receita promissora para conquistar o coração do público — assim como Afrodite gostaria que fosse.