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Crítica

Penny Dreadful - 2ª Temporada | Crítica

Um encanto a base de poesia e vísceras

Thiago Romariz
18.07.2015
01h14
Atualizada em
17.07.2015
15h54
Atualizada em 17.07.2015 às 15h54

Nos dez episódios desta segunda temporada de Penny Dreadful, novos gêneros e histórias foram apresentadas - nenhuma delas desenvolvidas por completo, mas todas executadas com primor. Esse passeio constante entre terror, suspense, investigação e fantasia torna o clima do seriado algo especial. Com um elenco e um roteiro de primeira qualidade, estes estilos ganham a voz e a densidade necessária para tornar a série um dos melhores programas da TV atual.

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A trama segue o desenrolar da primeira temporada, quando o grupo liderado por Sir Malcolm (Timothy Dalton) tenta lidar com as investidas do Diabo em Vanessa Ives (Eva Green). A bruxa Madame Kali (Helen McRory) agora é a representante do capiroto e conta com três ajudantes para concluir os objetivos que são mostrados logo no início deste novo ano. Enquanto isso, John Clare (Rory Kinnear), Lily (Billy Piper), Victor Frankenstein (Harry Treadway) e Dorian Gray (Reeve Carney) correm por fora destes problemas, mas quando se envolvem tudo parece se encaixar.

Não há o que falar da ambientação, um dos pilares da estreia ano passado. Os cenários são os mesmos, mas em um ou outro episódio, a direção de arte comprova mais uma vez seu primor - o terceiro, "The Nightcomers", é o melhor exemplo disso. Toda a montagem das marionetes de Kali também trazem a sensação de agonia e desconforto, sem deixar as personagens caírem no banal. As bruxas de Penny Dreadful são amedrontadoras, cativantes e determinadas. O visual ajuda nesta composição, mas é nas falas de Helen McRory que este medo ganha vida.

Ao lado dela, Eva Green carrega a narrativa com uma atuação melhor do que a da primeira temporada. Mais ciente de sua situação e disposta a ser comum por vez ou outra, Vanessa Ives guia os olhos do espectador por todos os confrontos da série. A cena entre ela e Clare em "Above the Vaulted Sky" (a dança) é um dos pontos altos do ano e mostra Green e Kinnear em um diálogo cheio de poesia, pessimismo e reflexão, que se distancia de todo o horror mostrado até ali, mas se encaixa perfeitamente com a situação de ambos. Billy Piper é mais uma a abusar das nuances de atuação, ainda mais por ter uma personagem modificada intensamente ao longo dos episódios.

Além de impressionar pelos poemas e cuidado no texto, Penny Dreadful também assusta nas sequências de ação e suspense. A montagem das cenas de crime do museu onde Clare trabalha esconde a analogia perfeita. John Logan, o escritor da série, e Oscar Putney (David Haig), o dono do museu, buscam o choque a partir da reprodução fiel, sem perder a aura do mistério. A violência é mostrada de forma lenta e paulatina e assim como numa exposição, a cada segundo um novo detalhe pode ser notado.

Penny Dreadful se destaca em uma época onde a TV oferece produções mais variadas e de qualidade superior ao cinema. Dentro de seu gênero, porém, a série não tem concorrência em nenhum dos mercados e esta segunda temporada comprova que ainda há muito o que explorar no mundo sombrio e elegante de Vanessa Ives.

Nota do Crítico
Ótimo