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Crítica

Ozark - 1ª temporada | Crítica

Walter White e Michael Bluth se misturam em drama violento que vale cada minuto de tensão

Aline Diniz
01.08.2017
18h26
Atualizada em
01.08.2017
18h59
Atualizada em 01.08.2017 às 18h59

Uma das maiores comparações possíveis de se fazer com Ozark é Breaking Bad. Ambas as séries, de fato, tratam de bons homens que acabam comprometidos em situações complicadas envolvendo narcóticos. Porém, apesar das semelhanças, há também muitas diferenças entre as duas produções - a principal sendo, talvez, a posição em que Marty Byrde (Jason Bateman) se encontra. Walter White era um químico especialista na produção de metanfetamina, enquanto Marty se envolve com o cartel mexicano em um papel muito mais secundário, trabalhando como o lavador de dinheiro para o perigoso Del (Esai Morales). E é bem na dúvida e insegurança do cartel que Ozark acontece.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

A premissa central da série é o medo. Marty Byrde, achando que é possível sair ileso após trabalhar com o cartel, se envolve em um grande esquema depois de seu parceiro cometer um dos maiores erros de sua vida: tentar roubar de Del. Acontece que Marty é dono de uma firma de investimentos em Chicago, a fachada perfeita para trabalhar com lavagem de dinheiro. Apesar de ter uma excelente compensação mensal, Marty mantém um estilo de vida simples, sem esbanjar muito. Já Bruce Liddell (Josh Randall), seu parceiro na firma, parece querer ostentar tudo o que ganhou no mundo ilegal. E é através da ganância de Bruce que o certinho Marty acaba no meio de um grande acerto de contas - da qual ele só sai vivo ao prometer que consegue lavar ainda mais dinheiro para Del direto do Lago de Ozarks, uma região que atrai um número muito grande de turistas durante o verão.

A principal questão de Ozark é a violência e a discrepância entre entrarmos na casa dos Byrde e vermos uma família que não deveria estar envolvida com nada disso, enquanto todos ao redor deles querem um pedaço do que quer que seja que apareça pela frente. Matar, morrer, tortura, chantagem e muito mais estão na mesa para todos os personagens que cercam os Byrde. Aliás, até mesmo a própria família tem alguns problemas, mas tudo fica pequeno perto do que está acontecendo pelos arredores. Com uma classificação 18 anos, espere muitas cenas gráficas ao longo da série, incluindo (mas não limitado a) uma cabeça explodindo bem em frente às câmeras.

Com apenas dez episódios de cerca de uma hora cada (com exceção do último, que tem 1h20 de duração), Ozark não deixa lacunas em nenhum momento. Há sempre algo acontecendo em algum núcleo da produção, seja envolvendo Marty ou não. Além disso, não faltam momentos tensos na série. Sempre há uma ameaça e sempre há uma certa tensão envolvendo todos os personagem. Nesse sentido, não acompanhamos somente os problemas de Marty com o cartel e assim que ele chega no Lago de Ozarks, inúmeras outras questões aparecem e preenchem a história. Toda a trama é muito bem amarrada ao longo das mais de dez horas de Ozark, sem deixar espaço para dúvidas ou questionamentos.

Por mais que a narrativa envolvente seja um dos maiores atrativos da série, tudo só é possível graças ao ótimo elenco. Desde Bateman e Laura Linney até as crianças Sofia Hublitz e Skylar Gaertner, passando pelos ótimos Julia Garner, Jordana Spiro, Jason Butler Harner e Marc Menchaca, cada um se encaixa perfeitamente em seu papel. Ainda assim, Bateman incorpora inúmeros traços de um de seus mais conhecidos personagens, sendo impossível ver Ozark sem lembrar constantemente de Michael Bluth. É até possível traçar alguns paralelos entre Arrested Development e Ozark, mas o principal é a ingenuidade latente nos dois protagonistas. Da mesma forma como Michael Bluth acha ser possível salvar sua família de idiotas, Marty Byrde acha ser possível se safar do narcotráfico e deixar a vida de lavar dinheiro para trás - duas ideias completamente irreais.

Retornando à comparação de Ozark com Breaking Bad, não dá pra dizer que elas são tão parecidas assim, mas também não pode-se dizer que são opostas. Cada uma tem sua própria identidade - e apesar de Ozark não ter o esmero visual que Breaking Bad tem, vale a pena conferir a nova série da Netflix, que caminha nos mesmos passos do programa de Walter White.

Nota do Crítico
Ótimo