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Séries e TV
Crítica

O Cavaleiro dos Sete Reinos deixa intrigas de lado e traz melhor GoT em anos

História de amizade entre cavaleiro e aprendiz traz elementos clássicos e cômicos para mundo de George R.R. Martin

Omelete
4 min de leitura
13.01.2026, às 19H00.

Enquanto os fãs aguardam o próximo livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, o universo de George R.R. Martin segue vivo nas adaptações da HBO. Depois de um final controverso de Game of Thrones e de uma recepção positiva, porém contida, de A Casa do Dragão, Westeros parecia preso a um ciclo de histórias sisudas, cheias de intrigas vazias e pouco avanço narrativo. É justamente nesse cenário que O Cavaleiro dos Sete Reinos surge como um refresco inesperado.

Baseada no livro homônimo, a série acompanha Sor Duncan, o Alto, e sua improvável amizade com Egg, um garoto de dez anos e de cabeça raspada, com personalidade inquieta. A primeira história da publicação, “O Cavaleiro Errante”, serve como ponto de partida da temporada, apresentando Dunk (Peter Claffey) como um jovem aspirante a cavaleiro e o início de sua relação com Egg (Dexter Sol Ansell), que anseia ser seu escudeiro.

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Desde os primeiros minutos, fica claro que O Cavaleiro dos Sete Reinos não quer repetir a fórmula de Game of Thrones ou A Casa do Dragão. A começar pela duração dos episódios, mais curtos, com cerca de 30 a 35 minutos. A principal diferença, porém, está no tom. Em vez de disputas de poder, traições familiares e violência gratuita, a série aposta em uma narrativa de aventura clássica, quase uma história de capa e espada, centrada na jornada dos protagonistas.

A decisão de manter o foco quase exclusivo em Duncan e Egg é um dos maiores acertos da produção. Sem a necessidade de dividir tempo de tela entre inúmeros núcleos, a série constrói sua força na relação da dupla. O objetivo de Dunk é simples: provar que é digno do título de cavaleiro. Egg, por sua vez, enxerga nele um ideal de honra e coragem em um mundo marcado por guerras e artimanhas.

O Cavaleiro dos Sete Reinos HBO
HBO/Divulgação

O entrosamento entre Peter Claffey e Dexter Sol Ansell é imediato. A diferença física entre o cavaleiro gigante e o garoto franzino rende momentos cômicos, mas também reforça o tom aventuresco da história. Egg, com sua voz aguda, aparência magrela marcante e comportamento atrevido, rapidamente se torna uma figura memorável — e seus segredos têm impacto direto na trama. A série abraça sem medo os clichês do gênero: implicâncias iniciais, discursos sobre honra e amizade e situações que equilibram humor e emoção.

Apesar da mudança de abordagem, O Cavaleiro dos Sete Reinos não ignora o peso de Westeros. As grandes casas seguem presentes, especialmente os Targaryen, que têm papel fundamental na narrativa. Personagens como o ótimo Lyonel Baratheon, vivido por Daniel Ings, ajudam a manter a conexão com o universo maior e reforçam que esta ainda é uma história profundamente enraizada no mundo de Martin.

Ao optar por um caminho menos sombrio, a série devolve um senso de novidade às adaptações da HBO. A seriedade extrema e o drama constante, que marcaram especialmente A Casa do Dragão, dão lugar a uma energia mais leve, quase pop, que lembra Coração de Cavaleiro (2001), com Heath Ledger. As disputas de justa, o espírito de aventura e o humor pontual tornam a experiência mais acessível, mas sem perder a identidade criada para esse mundo.

O Cavaleiro dos Sete Reinos HBO
HBO/Divulgação

Com apenas seis episódios, O Cavaleiro dos Sete Reinos também evita a dinâmica de pai e filho tão comum em séries recentes como The Last of Us e The Mandalorian. Aqui, o coração da história é a amizade, construída em um mundo onde confiança é algo raro. Essa escolha narrativa ajuda a recuperar uma empolgação quase inocente por Westeros, distante da obsessão por mortes chocantes ou reviravoltas forçadas. É praticamente impossível, se você acompanhou todas as sagas de Martin na HBO, não se arrepiar ao final do quarto episódio, quanto o tema clássico toca em uma cena digna do termo "épico". Tema esse que logo de cara, no primeiro episódio, também é usado em um momento de comédia. 

Esse uso inteligente da iconografia da franquia mostra que a série entende seu legado e sabe brincar com ele. Ao expandir o universo sem medo de parecer diferente, O Cavaleiro dos Sete Reinos aponta um caminho promissor. E talvez seja aí que se esconde a receita para o futuro da obra de George R.R. Martin na tela da HBO.

Nota do Crítico

O Cavaleiro dos Sete Reinos

Criado por: George R.R. Martin e Ira Parker
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