No Good Nick

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

No Good Nick - 1ª temporada

Netflix apresenta série para adolescentes, mas acrescenta novos ingredientes à formula

Natália Bridi
18.04.2019
12h19
Atualizada em
18.04.2019
19h32
Atualizada em 18.04.2019 às 19h32

À primeira vista, No Good Nick parece ser apenas a versão da Netflix para as sitcoms voltadas para pré-adolescentes e adolescentes da Nickelodeon e do Disney Channel. Uma órfã chega inesperadamente nas vidas da família Thompson e dessa trama se espera, é claro, muitas confusões.

Porém, a série logo desvela a gravidade desses percalços. Nick (Siena Agudong) é uma golpista, colocada na casa dos Thompson pela sua verdadeira família adotiva, o casal de trambiqueiros Dorothy (Molly Hagan) e Sam (Ted McGinley), seguindo um plano de vingança tramado por seu pai biológico (Eddie McClintock), que está preso. O objetivo é roubar da família perfeita, que por um motivo misterioso teria prejudicado o pai de Nick.

Melissa Joan Hart e Sean Astin interpretam os pais de Molly (Lauren Lindsey Donzis) e Jeremy (Kalama Epstein) e, ainda que com algumas ressalvas, aceitam Nick como a nova integrante da família. A presença dos atores veteranos, conhecidos por Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira e Goonies/Senhor dos Anéis, facilita a familiaridade exigida pela construção rápida da série, que conta com apenas 10 episódios (ao contrário dos 24 capítulos do gênero). O elenco jovem também é eficiente para estabelecer a narrativa proposta, com destaque para a protagonista Siena Agudong, que precisa transitar pelas diversas camadas da sua personagem. A série também se destaca por ter um elenco diverso sem tornar a diversidade parte da sua trama, o que inclui a escalação da atriz transsexual Josie Totah como a “rival política” de Jeremy.

No Good Nick foi feita para o público adolescente e segue essa fórmula simples até certo ponto. Ao mesmo tempo, contrasta realidades em uma história à la Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air). Os Thompson são uma boa família branca de classe média alta enquanto Nick sofre com os dramas de um lar disfuncional e da falta de dinheiro. O roteiro, porém, não cai na armadilha de colocar um lado contra o outro. Os Thompson são amorosos e na maior parte do tempo conscientes dos seus privilégios, enquanto os pais adotivos trambiqueiros também se preocupam com a garota, mesmo que a sua maneira. Já as atitudes do pai biológico são mais questionáveis, o que deixa espaço para muito drama nas possíveis próximas temporadas. No geral, essa é uma boa aposta da Netflix para esse formato, mostrando como atender um público-alvo sem necessariamente entregar mais do mesmo.

Nota do Crítico
Bom