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Séries e TV
Crítica

Na Mira do Júri prova que o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar

Mais sitcom do que nunca, 2ª temporada se reafirma como comédia de humanidades

Omelete
4 min de leitura
06.04.2026, às 10H34.
Cena de Na Mira do Júri: Retiro Corporativo (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Na Mira do Júri: Retiro Corporativo (Reprodução)

A receita mágica de Na Mira do Júri pode não parecer tão complicada de relance: duas pitadas de sitcom, uma colher de chá de reality show. Mas o charme da série, que viralizou após o lançamento da primeira temporada em 2023, é ainda outro – por meio das “pegadinhas” absurdamente elaboradas nas quais dos criadores Lee Eisenberg e Gene Stupnitsky predicam suas premissas, Na Mira do Júri cria um teste de humanidade.

Explico: colocando gente comum para interagir com os personagens e situações exacerbados da ficção, a série quer interrogar como agimos diante de escolhas morais que raramente se apresentam tão claramente na realidade. Daí que chamar o seu protagonista de “herói” faz sentido. Na Mira do Júri quer mostrar que, dada a devida chance, pessoas normais — pessoas boas, sem dúvida, mas normais — também tomariam as atitudes nobres e difíceis que frequentemente imputamos aos heróis da ficção.

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Por sorte, a própria existência de Retiro Corporativo comprova a tese dos criadores. O subtítulo dado a essa segunda temporada da série serve para sinalizar que a ação não discorre mais no isolamento de um júri, mas sim em um acampamento rústico para onde os funcionários da empresa familiar Rockin’ Grandma’s Hot Sauce se retiram todos os anos a fim de trabalhar na integração da equipe e aliviar o estresse do dia a dia. Nesse contexto, Anthony Norman é contratado como assistente de RH, uma posição temporária, ciente de que sua rotina será filmada para um documentário sobre pequenas empresas.

As coisas só ficam mais absurdas a partir daí, e logo emerge a narrativa principal da temporada: a possível venda da Rockin’ Grandma’s Hot Sauce para uma outra companhia, maior e mais endinheirada, que faz promessas vazias sobre não modificar a cultura familiar da empresa. É justamente aí que Norman é testado — e, como ele diz mais de uma vez durante a temporada, sua posição de funcionário temporário significa que “ele não tem nada a ganhar ou perder” na disputa. 

Ao invés de usar essa posição confortável para lavar as próprias mãos e se afastar do dilema, no entanto, ele a utiliza para afirmar sua clareza de visão. “Eu não tenho nada a ver com isso” nunca se transforma em “me retire dessa conversa” (muito embora os roteiristas deem a ele todas as oportunidades de fazer isso, notavelmente no episódio inicial da temporada), mas sim em “eu consigo ver essa situação de fora para dentro, e eis aqui o que eu acho”. É uma empatia que nunca se torna fraqueza — pelo contrário, ela frequentemente se manifesta na forma de uma firmeza ética inabalável.

Grande parte da graça de Retiro Corporativo é ver como essa firmeza se manifesta em momentos genuinamente emocionantes, no qual Norman é empurrado para assumir o papel de herói em situações de urgência, e parece não hesitar nem meio segundo para fazê-lo. Essas sequências são a recompensa farta para uma construção extenuante de universo, empreendida por uma equipe que trabalha ao redor de uma série de inconveniências autoimpostas: criar personagens de sitcom, interpretados por atores de sitcom, dentro de um mundo que precisa parecer real é exatamente tão difícil quanto você pode imaginar.

Retiro Corporativo, é verdade, tem mais cara de comédia televisiva tradicional do que o Na Mira do Júri original. Embora o elenco aqui seja tão deliciosamente afiado quanto o da temporada anterior, os personagens dados a eles são pintados em cores mais fortes, nos traços primários que quase sempre ditam as sitcoms estadunidenses. Por isso, pela familiaridade da pegadinha e pelo perfil menos reativo de Norman — o herói dos episódios anteriores, Ronald Gladden, parecia se jogar com mais facilidade às situações empurradas na sua direção —, em alguns momentos durante a temporada parece que Retiro Corporativo será mais uma sequência inferior ao original.

Mas daí, nos capítulos finais, a recompensa vem, junto com a realização: Na Mira do Júri acaba de provar que o raio pode, sim, cair duas vezes no mesmo lugar. E há muito pouca TV por aí tão radical em seu formato, e tão proposital em sua mensagem, quanto ela.

Nota do Crítico

Excelente!

Na Mira do Júri: Retiro Corporativo

Criado por: Lee Eisenberg, Gene Stupnitsky
Onde assistir:
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