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Crítica

Mr. Robot - 3ª temporada | Crítica

Com jornada de redenção, série triunfa com narrativa intensa e visual experimental

Arthur Eloi
18.12.2017
18h04
Atualizada em
28.08.2018
18h40
Atualizada em 28.08.2018 às 18h40

Mr. Robot já passou por altos e baixos. O seriado fez barulho como uma excelente primeira temporada, mas apresentou decisões questionáveis com seu segundo ano, principalmente ao tentar replicar a mesma ideia de plot twist que chocou os fãs antes. Agora, o criador, roteirista e diretor Sam Esmail retoma as rédeas de para mostrar que a série ainda tem muito a oferecer.

Após todo o arco de Elliot Alderson (Rami Malek) na prisão, a terceira temporada começa com o hacker percebendo que sua revolução não saiu como o planejado: a economia quebrou, as pessoas estão sofrendo e as corporações, principal alvo do ciberataque, só ficaram mais fortes e controladoras. Ele então dá início a uma jornada de redenção, se unindo ao inimigo para pagar pelos seus erros.

Enquanto o ano dois tem desenvolvimento enrolado para tentar ganhar o espectador pelo choque, aqui fica claro que a narrativa caminha com um objetivo em mente. A trama passa por um arco de arrependimento, revolta, lamentação e recomeço, progredindo de forma natural e honesta. Fica perceptível que Esmail teve influência tanto no roteiro como na direção, conduzindo a história com a atenção ao detalhe e o bom ritmo que consagram a temporada de estreia.

Isso, é claro, não significa que o programa não tem seus truques, mas eles não mais aplicados com o intuito de enganar o público. Por exemplo, em vez de apresentar Elliot e Mr. Robot (Christian Slater) como dois personagens diferentes, agora o mentor é utilizado como uma entidade própria, quase como uma espécie de possessão que se apodera do corpo e mente do protagonista e cria lapsos de memória. Como o espectador não é mais deixado de lado nesses eventos, fica possível ter um entendimento melhor do universo da série.

O destaque fica por conta de Elliot e Angela (Portia Doubleday), que são desenvolvidos como iguais mas em movimentos e ideologias diferentes. A executiva, que antes apenas agia como interesse amoroso do protagonista, aqui se envolve de vez com o jogo de manipulação e hacking do Dark Army. Já Elliot leva sua luta contra o mundo, combatendo ao mesmo tempo o exército de hackers chineses, o FBI, a ECorp e, é claro, ele mesmo. Ambos brilham por suas excelentes atuações, que passam a intensidade de travar batalhas perdidas, correr contra o relógio e tentar manter-se focado mesmo quando tudo vai por água abaixo.

Fase de testes

Um dos elementos mais interessantes da segunda temporada foi a intensa experimentação visual. A fotografia e direção constantemente brincavam com planos-sequência e ângulos ousados para retratar a ação. Isso se mantém no ano três, e é elevado a outro nível. Cada capítulo assume uma identidade própria, sempre mudando as regras, mas sem fugir do propósito da série de TV.

As mudanças também não são gratuitas, casando com as várias alterações de tom da trama. Quando Elliot precisa fugir dos escritórios da ECorp, por exemplo, a câmera capta a ação sem cortes e sempre próxima a seu rosto, criando a sensação de desconforto, claustrofobia e frenesi da perseguição. Já quando o protagonista passa por uma crise de arrependimento durante os momentos finais da temporada, o visual fica melancólico e contemplativo.

O triunfo da terceira temporada de Mr. Robot fica no sua sensação de progressão. Os dez episódios resgatam as melhores partes dos anos anteriores e as combina para criar um suspense intenso e em constante evolução. A série encontra sua voz ao apostar com confiança em narrativa e visuais cada vez mais complexos. Com a quarta temporada já garantida e Esmail falando que já sabe o como concluir o programa, o futuro de Mr. Robot nunca pareceu tão brilhante.

Nota do Crítico
Excelente!