Foto de Modern Family

Créditos da imagem: Modern Family/ABC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Modern Family - 10ª temporada

Série não tem mais o brilho de antes, mas ainda mostra a importância da família

Camila Sousa
10.05.2019
16h39

Há uma característica comum nas sitcoms - as conhecidas “comédias de situação” - que é a grande identificação dos fãs com essas atrações. Ao contar momentos comuns do dia a dia, tais seriados se destacam por causar empatia facilmente, mas também sofrem na hora de inovar - se o objetivo é mostrar a “vida como ela é”, uma hora essa fórmula fica batida. Esse é o sentimento com a décima temporada de Modern Family, que perdeu o brilho dos primeiros anos, mas ainda assim se destaca por focar na importância da família.

Com a 11ª temporada já confirmada como a última, o seriado usou seu décimo ano para alguns encerramentos e também grandes mudanças. O centro disso é a gravidez de Haley Dunphy (Sarah Hyland), que volta para seu amado Dylan (Reid Ewing) e descobre que terá gêmeos. A chegada da notícia muda muitas dinâmicas na casa dos Dunphy, que não concordam exatamente com os rumos da vida da filha, mas entendem que, acima de tudo, precisam apoiá-la neste momento desafiador. A série é certeira ao colocar Claire (Julie Bowen) no centro dessa discussão, principalmente porque a matriarca nunca aprovou Dylan e agora precisa aceitar a presença do rapaz em sua família. Isso cria uma dinâmica interessante, especialmente quando Haley mostra que parece muito mais com a mãe do que imaginava.

Se Julie Bowen se destaca por sua atuação, o mesmo pode ser dito do incrível Ty Burrell como Phil Dunphy. É prazeroso acompanhar o quanto o personagem é coerente consigo mesmo, fazendo de tudo para ajudar os filhos, sem deixar de lado a própria felicidade. Além disso, Phil é um dos poucos personagens que não tem medo de assumir suas fragilidades e necessidades. Quando chega aos 50 anos, ele decide ter aulas de piano, para não ficar parado no tempo e sempre ter algo para lhe motivar. Burrell também tem uma participação fofa e emocionante no casamento de Haley e prova que sempre será destaque quando estiver em cena.

Apesar destes pontos positivos, Modern Family ainda tem muitos problemas em sua narrativa. Um deles - o inevitável - foi o crescimento do elenco mirim. Se quando a série começou era interessante ver o desenvolvimento daquelas crianças, agora eles são adultos com problemas semelhantes aos dos pais e é difícil criar tramas que sejam realmente inovadoras. Mais de uma vez, a sensação que fica é de uma repetição e, embora isso seja comum na vida real, fica óbvio que o seriado não conseguiu contornar essa mudança, já que os novos nomes do elenco, como Joe, não são tão carismáticos e bem desenvolvidos como as crianças Dunphy.

Outro problema já observado em outras temporadas é a ironia de uma série chamada “Modern Family” ("família moderna") ter tramas tão ultrapassadas. Na 10ª temporada há momentos específicos que incomodam nesse sentido, como quando Glória tenta ser a “mulher perfeita” quando a família Pritchett passa por um momento difícil; quando Claire é julgada no trabalho por ser “exigente demais”, ou ainda quando Jay dá conselhos bem machistas e questionáveis para Manny - que felizmente não o escuta. Ainda que tenha o conceito de modernidade no título, a verdade é que a série tem apego com uma forma ultrapassada de fazer humor e exatamente por isso o anúncio da temporada final cai bem.

O seu lugar no mundo

Modern Family acerta realmente quando trata do tema da família e o quanto é possível ser imperfeito dentro dela. Além da já citada relação entre Claire e Haley, Mitchell também tem um momento bonito com Jay, em que fica claro que os dois sempre tiveram um certo distanciamento, mas se amam muito apesar disso. Já Glória e Manny demonstram uma verdadeira parceira, já que por muito tempo os dois viveram sozinhos e isso criou um laço único: além de mãe e filho, eles são amigos. Essa narrativa é acentuada por um episódio específico em que personagens que não interagem muito, ou são muito diferentes, têm um momento juntos. Como, por exemplo, Phil e Alex. Com seu jeito bobo, o patriarca da família não se sentia confortável perto da “filha mais inteligente”, mas a conversa entre os dois é autêntica e bem trabalhada.

Como toda sitcom que tem uma gravidez, é claro que esse foi o grande tema do episódio final. Mas ao invés de fazer um grande dramalhão ou uma cena de comédia pastelão a caminho do hospital, Modern Family optou por uma cena simples e fofa, que reúne a família Dunphy ao lado de Haley. Por mais que sua gravidez e o envolvimento com Dylan tenham sido problemáticos, a personagem se sente acolhida pela família e essa é a grande lição desta temporada. Família é o onde em que você não precisa fazer um “tipo” ou fingir ser quem não é. Família é para onde você volta quando falha, como quando Manny faz um pedido de casamento frustrado. Infelizmente o humor de Modern Family não passou no teste do tempo e chegou a hora de terminar. Ainda assim, fica a sensação de que vale a pena assistir o encerramento da história dos Dunphy e dos Pritchett.

Nota do Crítico
Bom