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Crítica

Master of None - 1ª Temporada | Crítica

Série abrange as ironias e problemas da vida adulta com comédia e uma dose perfeita de sinceridade

Vitor Gross
09.11.2015
20h00
Atualizada em
09.11.2015
17h16
Atualizada em 09.11.2015 às 17h16

A Netflix está num ano movimentado. Entre as produções mais famosas lançadas em 2015 estão Narcos e Sense8, aclamadas tanto pelo público como pela crítica. Seria difícil imaginar que o serviço de streaming teria como surpreender ainda mais os seus assinantes. Mas eis que, com apenas um mês e alguns dias para o final do ano, Master of None chega para se colocar entre os melhores projetos não só da empresa, como também da temporada inteira.

Criada, estrelada e roteirizada por Aziz Ansari (Parks and Recreation), a série se baseia em situações do cotidiano do comediante e os perrengues e ansiedades da vida adulta, todos mesclados no protagonista Dev e seus amigos. Temas como casamento, velhice, filhos, racismo - anteriormente abordados por Ansari em seus stand-ups como o mais recente Aziz Ansari Live in Madison Square Garden - ganham uma abordagem cômica, porém sem deixar o tom de seriedade dos tópicos de lado.

Muitas das situações e piadas serão bem familiares para aqueles que já acompanham o trabalho de Ansari. O risco de soar como uma repetição era bem grande até vermos a maneira como o comediante atualiza os ganchos cômicos dentro do contexto dos personagens e suas vidas, oferecendo tiradas no mínimo brilhantes. Problematizar, criticar e satirizar são objetivos cumpridos com maestria em Master of None.

No melhor estilo da comédia Louie, a série não tenta embarcar em situações cômicas escrachadas ou apresentar um humor previsível como o da maioria das sitcoms atuais. Master of None, além de uma comédia, é um seriado sobre a vida. O roteiro de Ansari e Alan Yang, também cocriador do projeto, faz um ótimo trabalho em aproveitar situações não muito diferentes das vividas pelo espectador para extrair momentos engraçados de pequenas ironias do cotidiano ou coisas que seriam consideradas absurdas se contadas por um amigo ou conhecido. 

O formato de dez episódios adotado faz com que o arco mais dramático, onde acompanhamos as idas e vindas da vida social e profissional de Dev, seja concluído com eficiência e sem tomar espaço do foco mais cômico da série. Ao mesmo tempo que Master of None consegue fazer gargalhar, reflexões e lágrimas não estão descartados das reações mais apropriadas.

Poucas séries conseguem abordar a relação mantida por quase todos hoje em dia com a tecnologia e a maneira como ela se integrou à nossa vida. Master of None consegue justificar o uso de um smartphone durante o sexo ou na escolha do que almoçar. É difícil de assimilar como esses aparelhos se integraram em quase todas as nossas funções, porém a série facilita ver o quão engraçado isso pode ser, até mesmo das maneiras mais trágicas.

Master of None envolve temas tão diferentes e pertinentes e consegue o feito de não se perder no que poderia ser um mar de devaneios pretensiosos e sem graça, mantendo-se sempre honesta com o espectador, transformando-se numa obra rara e de fácil identificação com o público, mesmo quando o nível de vergonha alheia é alto demais para aturar.

Nota do Crítico
Excelente!