Bruna Marquezine em Maldivas

Créditos da imagem: Divulgação

Séries e TV

Crítica

Maldivas satiriza esterótipos em dramédia com mistérios instigantes

Nova série da Netflix coloca ex-globais em superprodução à la Desperate Housewives

Omelete
3 min de leitura
Beatriz Amendola
20.06.2022, às 13H26
ATUALIZADA EM 26.06.2022, ÀS 12H26
ATUALIZADA EM 26.06.2022, ÀS 12H26

Maldivas é o nome paradisíaco país asiático, destino preferencial dos ricos e famosos. Na série homônima da Netflix, porém, Maldivas está bem mais perto: trata-se de um condomínio exclusivo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. E ele também é, à sua maneira, lar dos ricos e famosos da região, abrigando de ex-membros de uma banda de axé até empresários em prisão domiciliar.

O paraíso carioca é administrado por Milene (Manu Gavassi), a síndica que tem um corpo perfeito graças ao marido cirurgião-plástico. Mas o condomínio também guarda muitos segredos dentro de suas portas – culminando em um misterioso incêndio, que acaba por vitimar a misteriosa Patrícia Duque (Vanessa Gerbelli) bem no momento em que sua filha, Liz (Bruna Marquezine), descobre onde ela está, após anos de separação.

A jovem, que cresceu em Goiás, decide ficar no Rio de Janeiro até saber mais sobre a morte de sua mãe, o que faz com que ela se aproxime das ditas “rainhas” do Maldivas: Milene, Rayssa (Sheron Menezzes), uma ex-dançarina de axé que se tornou empresária; e Kat (Carol Castro), uma mãezona às voltas com as falcatruas do marido. E também, claro, de Verônica (Natalia Klein, criadora da série), amiga mais próxima de Patrícia. Todas, vale notar, são alvo da investigação conduzida pelo detetive Denilson (Romani).

Narrada pela personagem de Klein, a série se propõe a satirizar o meio que retrata, injetando uma dose cômica no “quem matou?”, uma fórmula já utilizada por produções como Desperate Housewives, de Marc Cherry. Para isso, Maldivas não economiza nos estereótipos, contemplando do meio artístico à milícia. Não são todas as piadas e exagerações absurdas que funcionam, mas elas divertem na maior parte do tempo.

No quesito suspense, a série cumpre bem seu papel, dosando revelações e reviravoltas ao longo (da maior parte) dos episódios e intercalando bem o mistério central com os dramas paralelos vividos por suas personagens. O roteiro e a edição, no entanto, aceleram muito nos últimos dois episódios da temporada, o que acaba por jogar contra momentos decisivos da trama, diminuindo seus respectivos pesos e deixando dúvidas que poderiam ter sido resolvidas antes da possível (ou melhor, inevitável) segunda temporada.

A experiência dos sete episódios, entretanto, é positiva: Maldivas é uma dramédia instigante, que prende a atenção do espectador e se sobressai, também, por suas qualidades técnicas, com uma direção de arte caprichada e a segura direção-geral de José Alvarenga Júnior, veterano que comandou várias séries para a Globo, de Sai de Baixo a Chapa Quente.

O elenco, formado em sua grande maioria por outros ex-globais, também está afiado e confiante, mesmo que às vezes seus papéis sejam limitados pelos estereótipos. Quem ganha mais flexibilidade é Bruna Marquezine, que se aproveita muito bem disso em seu primeiro papel em uma produção televisiva desde a novela Deus Salve o Rei, de 2018. A atriz confere doçura e determinação a sua Liz, mas sem deixar de lado o deboche que faz com que ela se encaixe tão bem no Maldivas.

Ao fim, a sensação de assistir à nova série nacional da Netflix é muito semelhante à de uma viagem a um destino desejado: ela pode lá ter seus altos e baixos, mas no final fica a vontade de reencontrar o Maldivas – e seus habitantes carismáticos. 

 

Maldivas
Em andamento (2022- )
Maldivas
Em andamento (2022- )

Criado por: Natalia Klein

Duração: 1 temporada

Nota do Crítico
Bom

Conteúdo Patrocinado

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.