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Crítica

Magnum prova que a Marvel ainda sabe contar boas histórias, mesmo sem heróis

Produção do Disney+ com Yahya Abdul-Mateen II e Ben Kingsley é uma das surpresas mais interessantes do MCU recente

Omelete
3 min de leitura
26.01.2026, às 07H00.

O Marvel Studios passou por altos e baixos em 2025. Capitão América 4 não empolgou, Thunderbolts* funcionou melhor, Coração de Ferro passou quase despercebida e Demolidor: Renascido dividiu o público com o saudosismo da versão da NetflixQuarteto Fantástico também gerou reações mistas e sobrou para os trailers de Vingadores: Doutor Destino o papel de lembrete do “plano maior” do estúdio que vem por aí. A boa notícia é que 2026 começa de forma mais interessante com Magnum, nova série do Disney+ que aposta em algo diferente no MCU: uma história que quase não parece ou precisa de super-herói.

A trama acompanha Simon Williams, um ator tentando sobreviver em Hollywood. Vivido por Yahya Abdul-Mateen II, o personagem lida com um mercado competitivo, crises de ansiedade e poderes especiais que surgem justamente quando ele perde o controle emocional. Diferente do padrão Marvel, esses dons não são um trunfo, mas um problema — algo que Simon prefere esconder para não comprometer sua carreira.

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É nesse contexto que ele cruza o caminho de Trevor Slattery, interpretado novamente por Sir Ben Kingsley. O ex-Mandarim, revelado como fraude em Homem de Ferro 3, agora tenta reconstruir sua vida e sua carreira como ator. Os dois acabam trabalhando juntos em um remake de Magnum, um herói fictício dos anos 1980, que será dirigido pelo excêntrico e premiado Vonn Kovack (Zlatko Buric).

A comparação com O Estúdio é quase inevitável — e talvez injusta. Ambas as séries usam o humor e a metalinguagem para comentar a própria indústria do entretenimento. No caso de Magnum, o olhar se volta também para o desgaste do gênero de super-heróis. A série bebe diretamente da fonte de Shane Black, cineasta por trás de Homem de Ferro 3, e conhecido por histórias centradas em duplas carismáticas e diálogos afiados, como Máquina Mortífera, Beijos e Tiros e Dois Caras Legais - essas duas, também com críticas à indústria.

É justamente quando se afasta do MCU que Magnum encontra sua melhor forma. A dinâmica entre Simon e Trevor é o grande motor da série, potencializada por um Ben Kingsley visivelmente à vontade e brilhando no papel. O personagem evolui de forma natural em relação às aparições anteriores, incluindo Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. Não por acaso, a origem do projeto está ligada ao trabalho do diretor Destin Daniel Cretton, que percebeu que Trevor merecia uma história própria.

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Reprodução/Marvel

Simon, por sua vez, vive uma jornada do herói muito mais íntima. Sem vilões cósmicos ou ameaças globais, a série explora conflitos familiares, crises de identidade e dificuldades emocionais. O selo Marvel Spotlight garante mais liberdade criativa, permitindo episódios que destacam a diversidade de Los Angeles, incluindo um capítulo quase inteiro ambientado na comunidade haitiana onde vive a família do protagonista. Há mentores, erros e aprendizados — mas tudo em uma escala humana.

O maior problema de Magnum surge quando a série se lembra de que faz parte da Marvel. As referências aos Vingadores funcionam bem como pano de fundo, assim como o “vexame” público do falso Mandarim. No entanto, a entrada do Departamento de Controle de Danos, já visto em Ms. Marvel e nos filmes do Homem-Aranha, interrompe o ritmo e força novas conexões com um universo maior que a trama claramente não precisa. Isso enfraquece, inclusive, a proposta original do selo Spotlight.

Comandada por nomes vindos de produções como Falando a Real, Poker Face, Insecure e Community, Magnum é uma grata surpresa. Menos ácida do que poderia ser em sua crítica à indústria, mas eficiente no que se propõe, a série se apoia em um texto afiado e em um elenco carismático, que inclui Byron Bowers, que tem tudo para se tornar um favorito do público e gerar teorias dos fãs. 

No fim das contas, Magnum resgata algo que sempre foi a maior força do MCU: o lado humano de seus personagens. E tudo isso sendo uma série (quase) sem super-heróis, o que pode dizer mais sobre esse universo do que os criadores esperavam.

 

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Nota do Crítico

Magnum

Criado por: Andrew Guest e Destin Daniel Cretton
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