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Crítica

Magnatas do Crime dobra a aposta com ótima segunda temporada

Sucesso da Netflix está de volta com novos episódios

Omelete
3 min de leitura
04.09.2026, às 19H56.
Theo James na segunda temporada de Magnatas do Crime

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Magnatas do Crime é uma das séries mais sedutoras da Netflix dos últimos anos. Tem o DNA de Guy Ritchie, um diretor e roteirista que nem sempre acerta, mas cuja principal virtude é unir suspense e comédia com classe — especialmente quando explora a aristocracia britânica, com todas as suas frescuras e trejeitos, num olhar irônico para algo que já parece ultrapassado há séculos. Como todo o resto do mundo, essa burguesia hipócrita também precisa evoluir, e essa evolução passa, inevitavelmente, por se envolver de vez com o crime organizado.

Se a primeira temporada funcionava como porta de entrada para este universo (ou nova porta, já que a série adapta o filme original de 2019), a segunda é uma imersão ainda maior nessa realidade. Eddie (Theo James) e Susie (Kaya Scodelario) decidem expandir os negócios, mesmo que para isso precisem passar por cima das ordens de Bobby (Ray Winstone), e essa decisão aumenta riscos e consequências em todas as direções. É um movimento natural para a dupla: depois de um ano à frente da operação internacional, os dois já não se contentam em administrar o que foi deixado por Bobby. Querem construir algo próprio, e é justamente essa ambição desenfreada que puxa o tapete sob os pés deles ao longo dos oito episódios.

É uma temporada mais sombria e madura do que a anterior, inclusive no formato narrativo: o novo ano é mais linear, abandona parte da estrutura episódica que marcava o primeiro ano e ganha em ritmo viciante. Cada capítulo empurra o espectador direto para o próximo, sem os respiros mais soltos e engraçados que caracterizavam a temporada de estreia. É uma escolha coerente com o momento dos personagens: eles não estão mais testando o terreno do crime, estão dentro dele, e a série reflete isso abandonando parte do tom de comédia em favor de uma tensão mais constante.

A química entre Theo James e Kaya Scodelario só melhora — os dois formam uma dupla cuja tensão sexual quase sai da tela, sem nunca ceder ao desejo do espectador de vê-la consumada. É um dos maiores acertos do roteiro: a série entende que a relação entre Eddie e Susie funciona melhor na ambiguidade, no jogo de provocações e cumplicidade, do que numa resolução romântica óbvia. Mesmo com os novos interesses amorosos que a temporada introduz para os dois, essa tensão original continua sendo o motor emocional da trama.

A série também respeita a evolução dos personagens e os mostra como pessoas falhas, que também perdem, o que torna a jornada de ascensão ainda mais saborosa de acompanhar. Não é uma temporada de vitórias fáceis: Eddie erra cálculos, Susie encara limites que não esperava encontrar, e o próprio Bobby, cada vez mais errático em suas decisões, se torna um obstáculo tanto quanto um mentor. Essa disposição de mostrar rachaduras nos personagens principais é o que separa a série de um simples exercício de estilo.

Há acenos claros a clássicos do cinema gangster americano, como O Poderoso Chefão II e Scarface, na forma como explora traições internas e uma violência mais crua. A expansão geográfica da trama, que leva a história para fora da Inglaterra, reforça essa comparação: assim como os grandes clássicos do gênero, Magnatas do Crime entende que crescer significa também se expor a inimigos maiores e mais imprevisíveis. Desta vez, para seguir em frente, Eddie não pode se apoiar no status de duque: para ser um gangster, precisa se tornar um gangster, e Guy Ritchie sabe exatamente como conduzir essa ascensão, sem atalhos e sem poupar o protagonista das consequências de suas escolhas.

O resultado consolida Magnatas do Crime como um dos grandes títulos da Netflix e deixa o espectador com apetite de sobra para a terceira temporada, que a plataforma já confirmou. É a prova de que a série sabe crescer sem perder aquilo que a tornou especial desde o início: o choque entre o mundo refinado da aristocracia britânica e a brutalidade cada vez mais explícita do crime que a sustenta.

 

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Nota do Crítico

Magnatas do Crime

The Gentlemen

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16 Comédia, Drama, Crime
Criado por: Guy Ritchie
País: GB
Classificação: 16 anos
Elenco: Theo James, Kaya Scodelario, Daniel Ings, Joely Richardson, Vinnie Jones, Giancarlo Esposito
Data de lançamento: 07 de março de 2024
Duração: 2 temporadas

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