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Crítica

Hannibal - 3ª Temporada | Crítica

Chega ao fim a jornada do canibal com uma história visualmente deslumbrante

Aline Diniz
01.09.2015
00h20
Atualizada em
29.06.2018
02h39
Atualizada em 29.06.2018 às 02h39

Apesar dos acontecimentos do final da segunda temporada, que deixou para trás um massacre enquanto Dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) e Bedelia DuMaurier (Gillian Anderson) seguiram para a Europa, o terceiro ano de Hannibal conseguiu uma nova história para contar: a do Dragão Vermelho, nova ameaça a Will (Hugh Dancy) e sua família.

Antes de chegar nela, no entanto, foi preciso acompanhar uma série de episódios mais artísticos do que funcionais, focados em mostrar belos planos detalhe em vez de realmente contar uma história. A caça de Jack Crawford (Laurence Fishburne) e Will ao serial killer canibal poderia ter facilmente sido resumida em, no máximo, três episódios - mas foi estendida ao longo de cansativos sete capítulos.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

Foram algumas tramas desnecessárias ao longo dessa primeira metade, desde a introdução de Chiyoh (Tao Okamoto); o pouco desenvolvimento de Mason Verger (aqui interpretado por Joe Anderson, substituindo Michael Pitt), que serviu apenas para financiar a caçada de Hannibal e dar apoio moral; qualquer envolvimento da polícia italiana nos assassinatos cometidos por Dr. Lecter; exceto o relacionamento de Hannibal e Bedelia, que serviu diretamente aos últimos segundos da série, mostrando de fato alguma forma de Síndrome de Estocolmo.

A partir do oitavo episódio, entretanto, conhecemos Francis Dolarhyde (Richard Armitage). A escolha de usar um salto temporal de três anos acaba dividindo completamente a série em duas partes bem definidas, trazendo um novo desafio a Will e à equipe, e colocando novamente, de uma certa forma, Hannibal e Will do mesmo lado investigativo. A história passa a seguir o mesmo rumo de Caçador de Assassinos (1986) e Dragão Vermelho (2002), e vemos o desenvolver do Fada do Dente, seu transformar no Dragão Vermelho e sua derrocada.

Armitage, excelente em seu papel, entrega um Dolarhyde perturbado, porém motivado. Cada movimento do Dragão é milimetricamente programado e até o fim ele segue com seus planos, quase sempre sem interrupções. Hannibal continua manipulando ambos os lados, se mantendo o tempo todo no controle - mesmo estando preso em uma cela.

É aqui que vemos como o psiquiatra, serial killer e canibal - psicopata, talvez? - sempre calmo, analisa todas as situações e toma decisões certeiras. Não é a prisão que o tirará o comando. Claro que a aparição de Dolarhyde como um admirador vem a calhar, mas não fossem as técnicas de domínio de Hannibal, nada teria funcionado.

Dividido entre perseguição e captura, o terceiro ano de Hannibal entrega dois inícios, meios e conclusões. Sempre poético, perfeccionista e extremamente visual, Bryan Fuller parece se enrolar ao ter um pouco mais de liberdade, deixando completamente de lado a parte procedural da produção para focar unicamente na narrativa contínua da série. Explorando ainda mais o relacionamento de Hannibal e Will, Fuller e seu time de roteiristas delicadamente escancaram a influência de um sob o outro. Não é a toa que ficamos maravilhados e chocados com a cena final. "É lindo", profere Will Graham antes de compreender que não havia nada além daquilo, daquele momento, onde ele estava entregue às vontades de seu melhor amigo e pior inimigo.

Nota do Crítico
Bom

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