Foto de Grace and Frankie

Créditos da imagem: Grace and Frankie/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Grace and Frankie - 5ª temporada

Temporada morna acerta tom da anterior e aprofunda relacionamentos entre pais e filhos

Camila Sousa
11.02.2019
10h08

No Brasil, a música “Pais e Filhos” do Legião Urbana é famosa por narrar o difícil relacionamento entre essas duas partes. E a frase de Renato Russo sobre os pais serem “tão crianças quanto os filhos” nunca foi tão real quanto na quinta temporada de Grace and Frankie. Mas o que poderia ser uma discussão tensa se torna uma conversa incrivelmente leve no seriado, que mostra os erros dos dois lados da forma mais natural possível.

O novo ano começa exatamente após o término do anterior, com Grace e Frankie fugindo da casa de repouso e tentando retornar para o antigo lar. Há uma rápida trama sobre quem teria comprado a casa, mas o que esse acontecimento realmente traz é a falta de confiança entre as protagonistas e os filhos. Mallory, Brianna, Coyote e Bud estão constantemente preocupados com as mães e muitos vezes passam dos limites para “protegê-las”. Com isso, a série fala muito da inevitável troca de papéis, quando filhos precisam cuidar dos pais, mas estes não gostam de assumir uma posição infantilizada após anos de independência.

A produção da Netflix adiciona ainda outra camada nessa discussão. As protagonistas têm a mesma idade de Sol e Robert e mesmo com os já mostrados problemas de saúde deles, os filhos se preocupam mais com as mães do que com os pais. A impressão que fica é de que a mulher é considerada mais fragilizada na sociedade e por isso precisa desse cuidado exagerado. Outro momento interessante que ressalta isso é quando Grace tem vergonha de falar sua idade, o que é tratado de forma comum. A velha frase de “não se pergunta a idade de uma mulher” é carregada de simbolismo aqui porque é esperado que elas tenham vergonha da idade avançada, enquanto eles estampam o número com orgulho. Felizmente, a série inclui ótimos diálogos sobre o tema quando, por exemplo, Sol afirma que os filhos não podem “pirar toda vez que um idoso não atende o telefone”; ou quando o mesmo personagem diz que “ninguém merece ser punido por ser velho”. São frases simples e sinceras, mas que dizem muito sobre as angústias das pessoas que envelhecem, mas nem por isso querem ser tratadas como incapazes.

Por outro lado, também há o desenvolvimento do erro dos pais, principalmente pela figura de Grace. Segura de si e ex-empresária de sucesso, a personagem de Jane Fonda tem dificuldades de se afastar totalmente da companhia Say Grace, atualmente gerenciada por Brianna e onde Mallory também trabalha. Em um acesso de raiva momentânea, a mãe repete o erro das filhas ao revelar o quanto as considera incapazes de fazer um bom trabalho na empresa. A discussão aqui é como muitas vezes os pais têm dificuldades de confiar nos filhos e deixar de vê-los como crianças e como esse sentimento gera insegurança. Com personalidade mais parecida com a mãe, Brianna confronta o que é dito, mas lá no fundo mostra o quanto frases negativas ditas por pais e mães afetam os filhos.

Apostas seguras

Em comparação com a temporada anterior, Grace and Frankie melhorou muitos pontos e o maior deles é a personalidade de Frankie. A excêntrica personagem de Lily Tomlin estava extremamente exagerada antes, tomando atitudes questionáveis e tornando-se até mesmo “chata” em certos momentos. Felizmente no novo ano, o comportamento fora dos padrões de Frankie está na medida certa. Isso acontece, por exemplo, quando ela luta para que o farol de pedestres tenha um tempo maior de travessia. Além de atestar como as cidades não são preparadas para receber idosos, essa breve trama traz uma Frankie decidida, porém não desagradável. Ela luta para conseguir o que quer e faz tudo isso do seu próprio jeito, mas jamais se torna arrogante nesse processo.

Mesmo com todas essas discussões pertinentes, o maior problema do quinto ano de Grace and Frankie é que ele não apresenta nada de novo. O último episódio termina com uma reviravolta importante, principalmente para Grace, mas ao checar o status das personagens no começo e no final da temporada, pouca coisa mudou. Talvez os produtores estejam apostando em um desenvolvimento mais lento das protagonistas, mas Grace e Frankie possuem personalidades tão fascinantes e diferentes, que é um desperdício acompanhá-las em uma temporada que apostou mais na rotina do que em novidades. O gancho final promete uma trama interessante na sexta temporada, resta esperar que esse conflito não seja resolvido no segundo episódio (como aconteceu aqui) e que o roteiro dê mais oportunidades para essas personagens que ainda têm muito a oferecer.

Nota do Crítico
Bom