Elenco de Gotham

Créditos da imagem: Gothan/Fox/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Gotham - 5ª Temporada

Série termina do jeito que sempre funcionou: uma bagunça caótica, divertida e satisfatória

Arthur Eloi
10.05.2019
17h05

Gothamé um caos - tanto a cidade do Batman quanto a série de TV da Fox. Após anos conciliando a própria visão da mitologia do Homem-Morcego com apertados orçamentos televisivos e a falta de cooperação da Warner Bros., o seriado chega ao fim em sua quinta temporada. É de se esperar que o ano final de um programa amarre toda a jornada até ali, mas esse não é o caso aqui: Gotham decide se despedir mergulhando ainda mais fundo no próprio caos.

As condições são boas pra isso, já que Batman: Terra de Ninguém - arco das HQs em que a cidade é isolada do resto do mundo - serve como grande inspiração, tornando a cidade uma espécie de apocalipse de gangues a lá Mad Max. Usando isso como base, o foco muda do espetáculo da destruição causado anteriormente pelo Coringa (Cameron Monaghan), para a dificuldade da polícia em lidar com as consequências e o peso de garantir a sobrevivência da população.

De certa forma, acompanhar Jim Gordon (Ben McKenzie) e seus colegas enfrentando a megalomania de vilões, falta de confiança do povo e tentando agir de pacificadores entre todos os antagonistas remete à premissa original do programa, que teria uma abordagem mais policial antes de se tornar uma enorme história de origem do Batman. Mas, novamente, isso não dura muito.

Mesmo com metade dos episódios do que o costume, Gotham tem dificuldade em estabelecer uma trama como principal e focar-se nela. Assim, todos os arcos secundários ganham destaque - de Bruce Wayne (David Mazouz) tentando ajudar Selina Kyle (Camren Bicondova) a recuperar-se; até o Charada (Cory Michael Smith) e o Pinguim (Oswald Cobblepot) planejando fugir da cidade em um submarino caseiro. Isso cria algumas decisões questionáveis, como Bane (Shane West) sendo apresentado apenas nos últimos capítulos, ou então um episódio inteiro dedicado a Gordon, que junta forças para retornar à vida após ser baleado, em uma espécie de “tribunal metafísico”.. Nem mesmo com menos tempo de tela a produção escolhe o que compõe o DNA da série - e é aí que fica claro que essa bagunça toda é, na verdade, o que faz Gotham ser o que é.

Ao longo dos anos, o programa decidiu que não se contentaria em apenas ser um procedural policial no mundo dos heróis, mas a jornada até conseguir desenvolver sua própria identidade foi cheia de problemas - muitos graças à Warner Bros., que não queria que a TV disputasse com os cinemas. O que salva é o fato que Gotham aproveitou todo esse tempo, com tramas conflitantes e longas temporadas, para afinar seu elenco e criar novas versões do hall de personagens do Homem-Morcego, ao invés de apenas imitá-los. O ano final entende isso, dando conclusões satisfatórias e únicas para os protagonistas - ao mesmo tempo em que estabelece um universo muito parecido com o das páginas da DC Comics, chegando até a fechar com um episódio de fan service para quem tanto queria ver o Batman em ação.

No fim, Gotham termina do jeito que sempre funcionou: bagunçada e equilibrando muito mais coisas do que consegue, mas altamente original, carismática e divertida ao mesmo tempo. Ainda que tenha se perdido aqui e ali entre mudanças brutas de foco, o seriado deve ser o último a realmente existir em um universo contido, sem depender de outros projetos da emissora, como é o caso do Arrowverse e das produções do DC Universe. Gotham usou e abusou dessa liberdade, nem sempre com resultados positivos - mas frequentemente absurdos e, assim como toda a identidade que construiu através desse exagero, únicos.

Nota do Crítico
Bom