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Crítica

Gotham - 3ª Temporada | Crítica

Série abraça o lado bizarro do universo do Homem-Morcego e finalmente dá voz aos seus acertos visuais

Natália Bridi
26.06.2017
17h11
Atualizada em
29.06.2018
02h38
Atualizada em 29.06.2018 às 02h38

Na nova era dos super-heróis na TV, Gotham se destaca pela personalidade do seu universo pré Homem-Morcego. Em uma mistura de referências que passam pelo gótico, punk e brega, com acenos a Frank Miller, Tim Burton, Scott Snyder/Greg Capullo, entre outros, a série sempre teve assinatura estética em meio a tantas ofertas vindas dos quadrinhos. Faltava dar a essa estrutura uma narrativa à altura, o que a terceira temporada começou a fazer.

O segundo ano já havia acertado ao dividir os obrigatórios 22 episódios da TV aberta em duas mini temporadas. A fórmula se repetiu no ano três, que usou a loucura do Chapeleiro (Benedict Samuel) e o sangue “envenenado” da sua irmã Alice (Naian González Norvind) como gancho principal para desenvolver todos os personagens, dos mocinhos aos vilões. Gordon (Ben McKenzie) continuou onipresente, mas a trama foi descentralizada, o que deu mais consistência para Pinguim (Robin Lord Taylor) e Charada (Cory Michael Smith), cujo relacionamento foi um dos pontos altos da temporada, além de Bruce Wayne (David Mazouz), Alfred (Sean Pertwee), Selina (Camren Bicondova) e Cia.

O “crescimento” de Hera Venenosa (trocando a jovem Clare Foley pela voluptuosa Maggie Geha) beneficiou a vilã, que ganhou espaço na trama e rendeu uma boa parceria com Pinguim. Com Ivy Pepper a série também dispensou qualquer amarra com a lógica, abraçando sem vergonha as regras dos quadrinhos: ninguém realmente está morto. Ivy é capaz de curar ferimentos de bala e comas profundos com a combinação certa de plantas, enquanto Hugo Strange (BD Wong) continuou a ressuscitar os mortos e dar vida a criaturas fantásticas. Recursos que permitiram a volta de Jerome (Cameron Monaghan), desperdiçado na segunda temporada e resgatado para o posto que o carisma de Monaghan tomou para si. Coringa ainda não foi batizado na série, mas já mostrou seu poder de destruição e demência, com direito a uma referência direta à versão “descarada” de Snyder/Capullo para o vilão.

A dupla dos quadrinhos também serviu de inspiração para o arco da Corte das Corujas. Gotham é uma cidade de muitas conspirações e o grupo ampliou essa mitologia. Entre tantas tramas, porém, a sociedade secreta foi subaproveitada e sua presença foi fundamental apenas para levar adiante a história de formação de Batman. Bruce Wayne entrou em conflito direto com os responsáveis pela morte dos seus pais, culminando com a revelação de Ra's al Ghul (Alexander Siddig), da Liga das Sombras e do Poço de Lázaro (mais um elemento que impedirá futuros óbitos na série).

Gotham encontrou uma narrativa à altura quando equiparou seu visual estridente aos roteiros, distanciando da regra do sombrio e realista para criar uma linguagem própria. Apesar de encontrar inspiração em outros meios, a série tem agora uma voz, além da estética. Com seus vilões cativantes e grandiloquentes posicionados e um herói que finalmente começa a mostrar a sua força, a série da origem de Bruce Wayne finalmente começou.

Nota do Crítico
Ótimo