Frontier - 3ª temporada

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Frontier - 3ª temporada

Frontier luta para ser um exemplo de épico, mas continua meramente digna

Henrique Haddefinir
25.11.2018
21h12

A ideia de uma série que remonta até tempos de uma história primordial ou que remonta a realidades tomadas de elementos fantásticos são tuteladas pelas variações do gênero épico. A nossa própria impressão do mundo antigo é claramente afetada por essas representações. Podemos ver o mágico e o lúdico nas terras de um mundo paralelo, mas também podemos vê-los naquela época em que o planeta privilegiava as indicações da natureza. Logo, filmes e séries focadas no longínquo passado sonham com a força do épico (no que a palavra tem de mais intenso).

Frontier nasceu com as melhores intenções e cheia de elementos possíveis para alcançar esse objetivo. A série focava, inclusive, num ponto até bastante original da história pregressa americana: o comércio de peles. As negociações dessa “especiaria” envolviam não só os britânicos que acabavam de colonizar o território, como povos periféricos, nobres e até mesmo os índios nativos, sempre em busca de uma justa reafirmação. Os núcleos dispostos na dramaturgia eram tantos e com tantos potenciais que o fracasso seria quase impossível. Mas, não era.

Estrelada por Jason Momoa, a produção era tão ambiciosa quanto tecnicamente bem cuidada. Qualquer trailer, por exemplo, fazia a série parecer o mais novo sucesso do mercado que já tinha sacramentado o sucesso de Game of Thrones. Uma análise dos motivos para o fracasso é até mesmo complicada, já que mesmo entregando fiapos de trama e dezenas de personagens, a produção da HBO consegue em um único episódio a catarse que em três anos não foi nem vislumbrada em Frontier. Não importa a fotografia esplêndida, o branco da neve, as roupas pesadas, as batalhas sangrentas, os vilões com voz calma que massacram tomando vinho... A ficção de Frontier simplesmente não acontece.

Outra coisa que parece não ser capaz de acontecer é o ponderamento criativo dos envolvidos. A terceira temporada começa e segue como se não tivesse sofrido nenhuma crítica. Os personagens se amontoam nos núcleos, vão e vem, morrem e matam a esmo, apoiados nas tensões narrativas que os criadores juram que conseguiriam criar. Assistir a série é um exercício de catatonia, com nossas expressões permanecendo impassíveis não importa o quão importante seja a reviravolta que o texto propõe. São apenas seis episódios, que como resultado final, parecem ter durado cerca de vinte.

Dessa vez o protagonista vivido por Momoa, Declan, tem uma missão mais clara que a dos anos anteriores: encontrar Grace (Zoe Boyle), que fora levada à força com Lorde Benton (Alun Armstrong), o grande vilão da trama, que não consegue dizer duas palavras sem parecer que está armando contra alguém. Essa busca é o que costura os seis episódios, e se formos considerar apenas ela, é possível admitir um filete de coerência. Os desdobramentos dessa busca – que envolvem as propostas de aliança tanto a Grace quanto a Declan – poderiam ser promissores para o futuro, desde que um tratamento conceitual sério fosse feito pelos produtores. Principalmente em seu season finale, Frontier toma decisões drásticas, mas a morosidade de sua condução impossibilita qualquer impacto. Não conseguimos nos importar com ninguém.

Michael (Landon Liboiron) continua seguindo numa narrativa totalmente independente do núcleo central (considerando que este seja o de Declan, o que a série também não é capaz de deixar claro). A ausência de Elizabeth (Kathy McGrath) leva até uma crescente que também coloca em suspensão o papel de Chesterfield (Evan Jonikeit) na história. Contudo, são tantos os desvios desnecessários e os diálogos toscos, que pouco importa o que vai acontecer com qualquer um deles. A beleza da fotografia impede que a experiência seja insuportável, mas apenas isso.

Os ganchos para uma quarta temporada existem (e todos eles com o pé no chavão), mas é notório que os roteiristas prepararam o terreno para que tudo funcionasse como final definitivo. Considerando a relevância pífia de Frontier em qualquer aspecto mercadológico ou cultural, uma saída elegante a essa altura seria o melhor para todos os envolvidos. Essa é uma série que está longe de ser épica. Ela só consegue ser meramente digna.

Nota do Crítico
Regular