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Crítica

Euphoria | 3ª temporada é um desserviço para tudo o que a série havia construído

O terceiro ano da série se perde em críticas rasas e glamourização do sexo e da dor

Omelete
4 min de leitura
01.06.2026, às 00H19.
Sydney Sweeney na terceira temporada de Euphoria

Créditos da imagem: (Divulgação/HBO)

Parece quase outra realidade pensar em como Euphoria foi responsável por moldar uma geração. Entre 2019 e 2020, e ainda um pouco em 2022, a série influenciava desde a moda até outras produções audiovisuais. Zendaya saiu das asas da Disney e se firmou como atriz. Novas it-girls foram criadas em Alexa Demie, Sydney Sweeney e Hunter Schafer. As maquiagens ganharam muito mais cores e glitter. E a estética granulada vinha acompanhada pela trilha sonora marcante do Labyrinth em nossas mentes. 

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É por tudo isso que a terceira temporada da série é tão decepcionante. Ela não só não chega nem perto de causar o impacto que suas predecessoras, mas ainda mancha o trabalho anterior. Os episódios são tão vazios que nos fazem começar a duvidar se a série era tão boa assim em primeiro lugar. Bom, ela era, mas passou longe disso em seu final.

No terceiro ano, acompanhamos um salto temporal na história. Nossos personagens não estão mais na escola e, sim, tentando sobreviver à vida adulta. Nesse contexto, Sam Levinson (criador, roteirista, diretor e produtor da série) se apoia em duas narrativas principais: a de Rue (Zendaya) tentando escapar do mundo das drogas, mas entrando em um ciclo vicioso, e a de Cassie (Sydney Sweeney) tentando ganhar dinheiro através da venda de conteúdo adulto.

Uma decisão acertada pelo lado de manter Zendaya e Sweeney separadas no set – os rumores são de que elas não se dão bem nos bastidores e, como consequência, não podiam/queriam interagir em cena. Mas completamente errada em termos dos outros personagens. Maddy (Alexa Demie) até ganha destaque como uma mulher visionária na indústria, com talento para deixar qualquer um famoso. Mas Jules (Hunter Schafer), Lexi (Maude Apatow) e Nate (Jacob Elordi) são renegados a papéis secundários que cumprem apenas pequenas funções específicas nas histórias das duas. 

Se eles têm algum momento de brilho é mais pela própria atuação de cada um, do que pelo que Levinson faz com eles. Em termos de história, o roteiro até sabe para onde quer ir com a história de Rue, mas com Cassie, ele se esvazia em cenas que servem apenas para sexualizar – ainda mais – Sweeney. É até surpreendente que a atriz, neste ponto de sua carreira, tenha se sujeitado a algumas das coisas que Levinson a colocou para fazer. Até quando ela não está gravando conteúdos adultos em cena, o diretor dava um jeito de deixar o seu corpo em evidência, mesmo sem qualquer intenção narrativa. 

E isso é só a superfície do problema, porque a terceira temporada de Euphoria se apoia no sexo e na nudez apenas pelo choque e desejo não só na história dela, mas de uma forma geral. A série poderia trazer a temática do Only Fans para falar sobre a precarização das mulheres que precisam se submeter a isso para sobreviver. É o que Cassie faz, afinal de contas. 

Mas, ao contrário, o roteiro de Levinson glamouriza a venda do próprio corpo e a coloca como solução para tudo. Mas, claro, sempre com as personagens femininas. Não só com Cassie e Jules – que se torna uma sugar baby em um plot que não acrescenta nada à história–, mas também com Maddy, que passa a temporada inteira tentando controlar o jogo de fora, para no final ser colocada em uma situação em que precisa se vender para Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) para ajudar a amiga. 

Até mesmo Rue (feita por uma Zendaya com contratos muito bem estabelecidos) tem uma cena no primeiro episódio que parece feita para o olhar masculino. A sensação é de que Sam Levinson não sabe escrever uma mulher a não ser que seja para colocá-la para sofrer. Aliás, a sensação é de que Sam Levinson não sabe escrever uma mulher. Tanto é que no grande auge do último episódio, o conflito principal se resume a dois homens. Homens que nunca foram protagonistas em primeiro lugar. 

E a tensão da cena é até bem construída, mas, assim como outros momentos da série, perde o impacto pela trilha sonora destoante. Ainda pior quando dá pra claramente notar Hans Zimmer tentando copiar o que Labyrinth fez nos dois anos anteriores, mas sem nunca chegar lá.

O último episódio até traz dois discursos emocionantes de Colman Domingo que dão um toque a mais de emoção. E ver o compilado de Rue se lembrando de alguns momentos de sua juventude pode fazer algumas lágrimas caírem. Mas, infelizmente, atuação nenhuma do elenco compensa o enredo vazio, os personagens jogados de lado, a sexualização extrema, a glamourização da dor e a falta de personalidade da terceira temporada de Euphoria.

Nota do Crítico

Euphoria

Criado por: Sam Levinson
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