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Crítica

Elle | Prequel de Legalmente Loira traz vibe dos anos 90 com ótima protagonista

A série traz várias referências ao filme estrelado por Reese Witherspoon e encontrou a protagonista perfeita em Lexi Minetree

Omelete
4 min de leitura
01.07.2026, às 20H44.
Lexi Minetree em "Elle"

Créditos da imagem: (Divulgação/Prime Video)

É quase inacreditável reassistir a Legalmente Loira em 2026, 25 anos após a sua estreia, e perceber o quanto o filme continua atual. Lá em 2001, o longa estrelado por Reese Witherspoon desafiou padrões de gênero e estereótipos ao entregar uma “patricinha” muito inteligente e nada julgadora, que era constantemente subestimada pelos outros e sempre conseguia surpreender.

Justamente por isso, a tarefa de voltar a tocar na história da personagem, dessa vez para acompanhá-la em 1995, aos 16 anos, ainda na escola, parecia amedrontadora. Afinal, a gente já viu um baita desenvolvimento da personagem no primeiro filme, então como fazer com que Elle continuasse evoluindo, mas sem repetir uma história que já vimos sendo contada de uma forma tão eficiente?

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Esse provavelmente foi o maior desafio da criadora e showrunner Laura Kittrell. Mas, amparada pela produtora da própria Reese Witherspoon, o resultado da série, assim como a própria Elle Woods, também surpreende. Produção prequel de Legalmente Loira, Elle entrega uma história divertida e borbulhante, com boas pinceladas do que a icônica personagem vai se tornar um dia.

E se tem alguém responsável pela maior parte do êxito da série é a protagonista. Lexi Minetree não só é fisicamente parecida com Reese Witherspoon, como traz o jeito da personagem nos gestos, expressões, postura e, até, na voz. Tudo isso sem parecer uma cópia barata e ainda entendendo que é uma versão mais jovem da personagem.

Os lookinhos maravilhosos estão lá, e as frases de impacto também. “Pessoas felizes simplesmente não atiram em seus maridos" agora dá lugar a “Eu não corro, mas eu ando com convicção”, ou “Otimismo, como estrutura óssea, é genético". 

Falando em genética, o segundo acerto de Elle é dar mais espaço para os pais da protagonista. Ela definitivamente não seria o que é sem eles, e a série mostra o porquê. Ambos são obcecados pela aparência (o pai dela é um cirurgião plástico de Los Angeles!), mas sempre tentam encontrar o melhor em cada situação e pessoa.

Talvez a mãe dela, Eva Woods (June Diane Raphael), tenha mais dificuldades com os julgamentos alheios, mas é justamente daí que vem as melhores interações entre ela e Elle. É ótimo ver a relação entre mãe e filha dos dois lados. Quando a garota pede conselhos, mas também quando decide que precisa se impor e defender seu lado em algumas situações.

E a maior mudança de Elle acontece quando ela mesma precisa se mudar de Los Angeles para Seattle e tem um choque de realidade ao encarar um universo que é menos obcecado pela aparência e mais pelo conteúdo. Na escola Rainier West, os alunos já estão determinados a combater injustiças, defendem minorias, se opõem ao racismo e não incomodam os alunos LGBTQIA+. 

Estar nesse ambiente mostra como Elle acabou se tornando uma pessoa tão atenta às pessoas ao seu redor no futuro e a série já mostra o quando ela consegue evoluir em apenas oito episódios. É fácil se encantar pela formação da amizade dela com Liz (Gabrielle Policano), e ver ela começar a perceber seus possíveis sentimentos por Dustin (Zac Looker). 

Mas é justamente por estar no meio desse ambiente que a antagonista da série não faz sentido. Kimberly (Chandler Kinney) é construída para ser a garota mais popular da escola, que é amada por todos, e também defende todos ao seu redor. No entanto, ela se torna a maior responsável pelo bullying que Elle começa a sofrer na escola. Kimberly julga a protagonista porque acha que ela é uma "falsa feminista", mas aí vai e escreve “vadia” em seu armário. Ela tira sarro de Elle por conta das suas roupas extravagantes e depois a confunde para usar roupas que de fato chamam atenção em sua festa de aniversário.

A personagem é cheia de contradições e, mesmo com o carisma de Kinney, não consegue convencer como uma vilã com motivações – e o roteiro até dá a entender que ela tem, sim, suas boas motivações, principalmente pela relação conservadora e restritiva com os pais em casa, mas nunca mostra o suficiente para que a audiência também absorva isso. Então, no final, quando ela eventualmente começa a se redimir, nada parece natural.

Os problemas da história, no entanto, param por aí. Os outros personagens complementam bem a vida de Elle e o mistério que faz com que a protagonista já comece a demonstrar sua veia como advogada também é divertido e satisfatório de acompanhar conforme é desvendado.

Tudo isso em meio a uma trilha sonora, cenários, acessórios e caracterizações que nos levam diretamente aos anos 1990. Não só nisso, mas a série de Laura Kittrell também se sai bem ao trazer os anos 1990 em seu próprio jeito de contar a história. Os diálogos parecem saídos diretamente das comédias românticas da época e a trama não é apressada pela vontade do público atual em assistir tudo em 2x.

No fim, Elle traz de volta aquele sentimento de ter visto Legalmente Loira há tanto tempo e continuar sendo surpreendido pela personagem. A história é divertida e leve, mas ainda pode trazer bons debates e a parte boa é que a gente já sabe exatamente como vai terminar.

Nota do Crítico

Elle: Legalmente Loira

Criado por: Laura Kittrell
Onde assistir:

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