Elite: Histórias Breves | Novos capítulos preparam surpresas para 5ª temporada

Créditos da imagem: Georgina Amorós em cena de Elite: Histórias Breves (Reprodução)

Séries e TV

Crítica

Elite: Histórias Breves | Novos capítulos preparam surpresas para 5ª temporada

Pelo menos dois dos curtas estabeleceram consideráveis mudanças no que está por vir

Henrique Haddefinir
24.12.2021
11h18
Atualizada em
24.12.2021
11h35
Atualizada em 24.12.2021 às 11h35

O universo de Elite poderia ser descrito como complexo para sua grande parcela de fãs ao redor do mundo. De certa forma, a união de seus códigos adolescentes ao suspense com que desenvolve suas histórias imprimem essa complexidade. Contudo, conforme vamos olhando mais atentamente para o produto final (cada vez mais sexualmente banalizado), a sensação mais evidente é de que estamos diante de uma junção bisonha de soft porn com How To Get Away With Murder, uma vez que a série não consegue resistir a colocar seus jovens sempre diante de um crime no qual vários deles estão envolvidos. Mata-se muito por lá... E impunemente, o que é curioso.

Comprometida com esse universo que criou, Elite levou todos os seus personagens a extremos dos quais parecia ser impossível sair. Mas, milagrosamente, no ano seguinte tudo voltava para o lugar de antes, com todo mundo indo para a escola (onde ninguém estuda) como se nenhum desses assassinatos tivesse sido cometido, até que um novo suspense seja levantado aos picotes nos finais de episódio, para ser revelado no final. Essa dinâmica é tão forte, que muitas vezes impede que vejamos os personagens em situações triviais, leves, que acabam sendo importantes para torná-los mais críveis também.

É aí que entra Elite: Histórias Breves, uma forma que os criadores encontraram de aquecer o público, aumentar a visibilidade da produção e colocar os personagens em lugares de menos estresse emocional, proporcionando a eles um recorte menos severo, que acabou se revelando uma alternativa de abordagem até mais elegante que a da série regular. Se na primeira leva ainda havia algum exagero nas estruturas narrativas, na leva que acabou de se completar na Netflix o resultado foi ainda mais positivo. Todas as três histórias tentarem se equilibrar nos mesmos códigos pelos quais a série é conhecida. Mas, sem o compromisso de chocar, proporcionaram uma calmaria bem-vinda até que a quinta temporada comece e alguém termine morto de novo.

A Plebeia, O Hedonista... e o OnlyFans

Os personagens escolhidos dessa vez foram Cayetana (Georgina Amorós), Samuel (Itzan Escamilla) e Patrick (Manu Rios). Eles são o foco dos episódios, mas estão cercados de outros que já conhecemos muito bem (além dos que parecem ser novas aquisições). O que envolve Cayetana foi liberado primeiro e foi nele que o potencial para uma nova inclusão de elenco acabou aparecendo mais. Enquanto se coloca como voluntária para um trabalho de caridade, ela conhece um rapaz com o mesmo nome de seu ex, o príncipe Phillipe (Pol Granch).

Com o plebeu Felipe (Aléx Monner), Cayetana cria uma conexão sem precisar disfarçar-se, mas o ex aparece para tirá-la um pouco do eixo. É possível dizer que o curta de Cayetana veio para colocar um fim definitivo na história com o príncipe, o que foi o primeiro sinal de que, apesar de menos escandalosos, os episódios vieram dessa vez para deixar rastros que serão explorados depois, na temporada regular. Considerando que o Príncipe Phillipe não foi um dos personagens mais populares do quarto ano, essa pode ter sido sua despedida.

Na história seguinte, Samuel acabou descobrindo que perderia a própria casa por conta de dívidas familiares. A solução foi apelar para a mania do momento: o perfil erótico em plataformas como o OnlyFans. Foi a hora de Elite fazer algo no qual ela nunca foi muito boa: humor. Apesar de Samuel aparecer bastante sexualizado nas sequências do ensaio sensual, a direção não caiu no mau gosto e foi divertido ver a amizade entre ele e Omar ganhar mais profundidade. Ao ser desmascarado em seu perfil por toda escola, Samuel criou um bom ponto de partida para a próxima temporada.

A última história foi de Patrick, e foi a mais dramática delas, sem sombra de dúvida. Elite sempre teve um problema de hiper sexualização e hedonismo. Com os personagens gays isso é um pouco mais acentuado. Patrick, por isso, faz o que se espera dele quando a pressão familiar aperta: se joga nas drogas e na promiscuidade. Dessa vez, contudo, os roteiristas usaram sua bad trip para explorar o trauma que a família do moço atravessa desde a morte da matriarca. Mesmo que com pouco tempo, os episódios conseguiram estabelecer o cenário que ele precisava enfrentar para ter coragem de tentar um entendimento. Foi uma espécie de recomeço para esse núcleo... E vamos ver onde ele nos leva.

A chegada da quinta temporada deve estabelecer se esses detalhes vistos em Histórias Breves farão alguma diferença no desenvolvimento principal. Não é exatamente uma garantia (por todas as razões apontadas no início desse texto), mas uma bem-vinda possibilidade. Elite peca justamente na própria ansiedade em ser dramática e erótica numa velocidade de constância que atropela tudo que encontra pela frente. As histórias breves, além de serem breves, são reconfortantes. A série precisa entender que nem tudo é sexo, drogas e hits de música pop.

Elite: Histórias Breves
Em andamento (2021- )
Elite: Histórias Breves
Em andamento (2021- )

Criado por: Carlos Montero

Duração: 2 temporadas

Nota do Crítico
Ótimo

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