Séries e TV

Crítica

Elite

Série adolescente da Netflix emula todos os quesitos de sucesso já vistos no serviço

Thiago Romariz
14.10.2018
17h31
Atualizada em
14.10.2018
17h31
Atualizada em 14.10.2018 às 17h31

Os primeiros vídeos de Elite a fizeram ser comparada com inúmeras séries adolescentes. O roteiro da nova empreitada da Netflix foca nos dilemas e a vida de adolescentes que estudam em uma escola de alto padrão da Europa. Fofocas, traições, mistérios, amizades, namoros, sexo e um assassinato. Tudo isso se mistura e automaticamente seriados como Gossip Girl, Riverdale, 13 Reasons Why e tantas outras vêm à mente.

Elite/Netflix/Reprodução

A comparação não é injusta, afinal, tais dilemas são inerentes à idade dos protagonistas e não há mal nenhum em explorá-los. O que faz cada um destes projetos se diferenciarem é a forma como cada tema é exposto e, claro, tudo depende de um elenco com presença suficiente para segurar temporadas a fio e expressar química na tela. Elite, no caso, consegue cumprir boa parte dessas missões, mas fraqueja na hora de se diferenciar de suas mais recentes inspirações, como 13 Reasons e Riverdale.

Na história da primeira temporada, Marina (María Pedraza, a Alison de La Casa de Papel), aluna rebelde da escola em questão, é assassinada e durante os oito episódios, a partir de depoimentos dos personagens, descobrimos quem foi o responsável pelo homicídio. No meio disso, há bullying, a entrada de alunos pobres no meio dos ricos, além de discussões sobre homossexualidade e religião. Tudo envolto no mistério do assassinato e liderado pelo trio protagonista vivido por Pedraza e pela dupla Itzan Escamilla (Samuel) e Jaime Lorente (Nano) - este último também conhecido por La Casa de Papel.

A escalação do elenco é o ponto alto de Elite, que além dos três citados, comprova o talento de dois outros atores: Miguel Herran e Miguel Bernardeau. O primeiro é o Rio de La Casa e aqui aproveita a veia cômica de Christian para dar leveza à série. Pouco lembra o tímido garoto apaixonado do outro sucesso da Netflix. Enquanto isso, Bernadeau faz um ótimo trabalho como o único personagem realmente destacável em Elite. O irmão de Marina é o clássico playboy mimado, mas que luta consigo mesmo para defender a família, aceitar os novos rumos da escola e lidar com um relacionamento inédito.

As idas e vindas de Guzman são as únicas coisas que deixam a série se distanciar de outros dramas adolescentes, pois da estética até os diálogos, Elite parece ter vindo de uma receita formada pela trilha e enquadramentos de 13 Reasons e dos dilemas entre classes vistos em Riverdale. Do início ao fim, a repetição é evidente em quase todos os episódios, que se encerram com um depoimento emocionado e com um gancho explícito para que a maratona continue. O roteiro não instiga naturalmente para o avanço da próxima peça, então há sempre a necessidade de uma revelação no último minuto.

A pobreza dessa construção de mistério não destrói as qualidades de Elite, mas impede que ela se torne algo relevante e diferenciado narrativamente. O desempenho dos jovens atores contribui e muito para a série, mas não há como superar diálogos batidos e situações tão previsíveis quanto a dos últimos episódios. As pontas deixadas para a segunda temporada deixam claro que a Netflix continuará a investir no projeto, que agora merece menos emulação de conceitos e mais identidade. Há talento suficiente no elenco para tal.

Nota do Crítico
Bom