Cena de Duncanville

Créditos da imagem: Fox/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Duncanville – 1ª temporada

Apesar de divertida, animação sofre com falta de criatividade

Nicolaos Garófalo
10.09.2020
19h00

Amy Poehler é uma gigante da comédia televisiva norte-americana. Desde o começo de sua carreira, a atriz e cineasta teve papel importante em produções como Parks and Recreation, Divertida Mente, Boneca Russa, Wet Hot American Summer e, é claro, Saturday Night Live. Vencedora do Emmy e do Globo de Ouro, sua assinatura é quase uma garantia de qualidade para fãs de comédia. A expectativa de mais um ótimo trabalho, no entanto, se torna em decepção no decorrer da primeira temporada de Duncanville, série animada criada por Poehler, Mike Scully e Julie Thacker-Scully.

Embora a animação em si seja impecável e o elenco de voz formado por Poehler, Ty Burrell, Wiz Khalifa, Riki Lindhome e Rashida Jones entregue um trabalho sólido, a história da comédia adolescente deixa muito a desejar. Excessivamente apoiada em piadas de cidade pequena recicladas de Parks and Recreation, Duncanville nunca consegue criar uma identidade própria.

Assim como as concorrentes Os Simpsons e Uma Família da Pesada já fazem há anos, a série tenta forçar risadas com personagens absurdos em situações bizarras, mas a falta de desenvolvimento de seus protagonistas barra qualquer aproximação do público. Annie e Duncan, ambos dublados por Poehler, são especialmente irritantes e não atraem qualquer empatia do telespectador, que se conecta com muito mais facilidade a coadjuvantes como Wolf (Zach Cherry) e Kimberly (Lindhome).

Se não consegue ser original, Duncanville pelo menos entretém quando retrata questões da adolescência. A jornada quase traumática pela puberdade, incluindo questões como primeiro amor e curiosidade pelo uso de algumas substâncias, é o grande diferencial da série e a abordagem encontrada pelos roteiristas é uma das poucas coisas que impedem a animação de ser completamente esquecível.

Sem criatividade, Duncanville não traz o humor ácido e inteligente característico da carreira de Poehler. Mesmo que seus episódios entreguem minutos divertidos de risadas soltas, o reaproveitamento medíocre de ideias não justifica a existência da produção, especialmente em um mundo de streamings que facilita o acesso a comédias bem melhores.

Nota do Crítico
Regular