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Crítica

Doctor Who - 50 Anos: The Day of the Doctor | Crítica

Muitas surpresas na comemoração de meio século do Senhor do Tempo

Thais Aux
24.11.2013
01h06
Atualizada em
29.06.2018
02h36
Atualizada em 29.06.2018 às 02h36

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

Doctor Who

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Apesar de todos os spoilers, teasers e previews que circularam na internet nas últimas semanas, The Day of the Doctor, o especial de 50 anos de Doctor Who, consegue surpreender até aos fãs mais descrentes. As expectativas eram altas e a recusa de Christopher Eccleston em participar foi um golpe forte, já que os especiais de aniversário da série sempre trouxeram vários Doutores interagindo entre si. No entanto, sua "substituição" por John Hurt caiu muito bem e, junto com Matt Smith e David Tennant, eles conseguiram dar vida a um especial multidoutores para ninguém botar defeito.

A interação entre eles - Hurt, Tennant e Smith - é tão sincronizada, tão fluida, que em nenhum momento deve nada aos Doutores do passado. Eles conseguem segurar muito bem a trama, que envolve a UNIT, dessa vez representada por Kate Stewart (Jemma Redgrave), a filha do Brigadeiro Lethbridge-Stewart, um personagem importantíssimo na série clássica, na época do segundo e terceiro Doutores. Osgood (a comediante Ingrid Oliver) pouco acrescenta, e parece que só foi colocada ali para mostrar o cachecol icônico do quarto Doutor. O mistério envolvendo Zygons, a Rainha Elizabeth I e os quadros quebrados no museu tem um ótimo ritmo, ora mostrando a Inglaterra da era Tudor, ora voltando ao celeiro com o Doutor da Guerra, paralelamente ao quartel-general da UNIT, a Torre de Londres, nos dias atuais.

Billie Piper retorna não como a adolescente Rose Tyler, mas como a consciência da arma chamada "Momento", que destruiria Gallifrey, acabando de vez com a Guerra do Tempo. Dá para matar as saudades da atriz, que é a primeira companheira de viagens da série moderna e a favorita de toda uma geração de fãs. Sua aparição não apagou o brilho de Clara Oswald (Jenna Coleman) e mais uma vez ela surpreende e mostra que de sem graça não tem nada. É ela quem convence os Doutores a buscar uma nova alternativa, provando que eles realmente não devem viajar sozinhos.

Assim, o desenrolar da trama não destrói o planeta natal do Doutor, como acreditamos até agora, mas apenas deixa-o travado no tempo e espaço em um universo compacto. Para isso ele conta com a ajuda de todos os Doutores, do primeiro até o 13º. Peter Capaldi, que entra de vez na série no especial de Natal desse ano, faz uma aparição relâmpago, sem revelar nada das suas vestimentas. Apesar de ser oficialmente o 12º, a contagem do especial leva em conta John Hurt que, em tese, é o nono. Vimos o início de sua regeneração para o nono Doutor, porém sem Christopher Eccleston (a cena é interrompida). Uma pena.

Gratas surpresas ainda chegam antes do final. Tennant beijando a mão de Clara é um ótimo agrado, assim como ver as três TARDIS enfileiradas enquanto os Doutores tomam chá. Mas o momento que certamente faz muitos fãs da série clássica chorarem é a aparição de Tom Baker, o quarto Doutor, já velhinho, com 79 anos de idade, como o curador do museu. Ele se encontra com o 11º em uma das cenas mais lindas de toda a série. Uma homenagem delicada ao Doutor mais icônico e querido dos britânicos.

The Day of the Doctor abre caminho para uma série de possibilidades para o futuro da série, com Peter Capaldi encarnando o papel do protagonista. Gallifrey resiste. Ao final, todos aparecem juntos, com William Hartnell em destaque - ele, que sempre acreditou na longevidade da série. Sydney Newman e Verity Lambert devem estar felizes, onde quer que estejam.

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Thais Aux é editora-chefe do Doctor Who Brasil

Nota do Crítico
Bom

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