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Crítica

Doctor Who - 10ª Temporada | Crítica

12º Doutor ganha voz, personalidade e uma ótima aventura em seu ano de despedida

Arthur Eloi
03.07.2017
16h07
Atualizada em
29.06.2018
02h36
Atualizada em 29.06.2018 às 02h36

Doctor Who passou por momentos turbulentos nos últimos anos. Saindo da jornada de Matt Smith, o mais reconhecível Doutor desde a retomada da série, a produção não soube ao certo como utilizar a versão vivida por Peter Capaldi por muito tempo. Agora, no ano de despedida do ator ao programa, parece que as coisas se acertaram.

A décima temporada deixa de se apoiar tanto na mitologia recente do seriado e volta alguns passos para focar-se na premissa básica: o Doutor viajando pelo tempo e espaço ao lado de algum companheiro. A decisão acaba criando uma espécie de reboot que serve como porta de entrada para novos fãs, mas seu impacto também pode ser sentido pelos veteranos.

Prezar pela simplicidade e não estar preso a um grande arco narrativo possibilitou que uma grande variedade de roteiristas escrevessem histórias para o personagem. Com isso, a temporada é repleta de diversos tons e tramas interessantes. Muitos episódios até mesmo brincam com o horror, como uma garota morta feita de água ou uma mansão que vai sumindo com um grupo de jovens, um por um. A sensação que fica é que Doctor Who voltou às suas raízes, entregando uma aventura mais parecida com a de Christopher Eccleston do que as de Smith, por exemplo.

Uma fórmula que finalmente deu personalidade ao 12º Doutor. Capaldi agora se apresenta como uma figura que fala e age com propriedade, mistério e inteligência. Mesmo tendo seus momentos bem humorados, é ótimo que tenha encontrado sua voz após um ano introdutório sem graça e uma nona temporada onde apenas tentava, sem sucesso, emular o espírito "jovem e descolado" dos recentes protagonistas.

Grande parte da performance do Doutor deve ser atribuída à introdução de Bill Potts, a nova companion vivida por Pearl Mackie. Bill é uma adição interessante ao programa por não ser tão inocente quanto Clara Oswald (Jenna Coleman), o que faz a garota deixar muitas vezes a posição de aluna e contrariar o protagonista com propriedade. Essa dinâmica é bem aproveitada e cria situações onde o espectador não sabe ao certo qual dos lados ouvir.

O fim de uma era

Por mais que o programa tenha encontrado a voz do protagonista e o tom das tramas, tudo deve mudar em breve. Não só a décima temporada marca a última de Capaldi como também o fim da era de Steven Moffat, o controverso roteirista e showrunner que contribuiu para popularização e renovação de Doctor Who.

Apesar da qualidade de sua escrita ser inconsistente e seus arcos narrativos serem fracos, Moffat é um fã hardcore assumido do programa, e consegue criar muito bem situações tensas que utilizam toda a lore estabelecida para abalar o coração de qualquer espectador veterano. O excelente capítulo "World Enough and Time" é a prova disso, entregando uma das horas mais marcantes nos anos recentes ao mostrar a criação de um vilão icônico e o retorno do Master de John Simm.

É uma pena que a décima temporada seja uma despedida. É difícil não pensar para onde as coisas poderiam ir a partir de agora. Doctor Who finalmente descobriu como contar histórias com Peter Capaldi e introduzir o universo Whovian aos novatos sem esquecer dos fãs, inclusive entregando surpresas de peso para eles. Ainda falta mais uma aventura antes do escocês pendurar seu casaco mas, graças a esse décimo ano, superá-lo será um desafio para o próximo Doutor - ou Doutora.

Nota do Crítico
Ótimo