Séries e TV

Crítica

Dirk Gently's Holistic Detective Agency - 1ª Temporada | Crítica

A volta da ironia colorida de Douglas Adams

Natália Bridi
04.01.2017, às 11H41
ATUALIZADA EM 04.01.2017, ÀS 17H49
ATUALIZADA EM 04.01.2017, ÀS 17H49

Das sombras e fumaça que costumam adornar as histórias de detetive, Dirk Gently surge como a resposta colorida e irônica de Douglas Adams (o criador de O Guia do Mochileiro das Galáxias). Preparado para resolver casos que desafiam a lógica pelo tempo e espaço, o investigador usa as circunstâncias como um superpoder, desvendando mistérios e salvando dia quase que acidentalmente.

Em Dirk Gently's Holistic Detective Agency, segunda incursão do personagem na TV, a criação de Adams ganha uma adaptação rápida e bem-humorada, com intensidade de desenho animado, pelas mãos de Max Landis. Na parceria da BBC America com a Netflix, o britânico Samuel Barnett encarna com simpatia Dirk, que entra na vida do americano Todd Brotzman (interpretado pelo sempre familiar Elijah Wood) para desvelar um universo surreal.

Brotzman, o assistente relutante, é o primeiro guia pela estranheza da série, apontando sem querer os elementos que darão consistência à história. Em uma trama de causas e efeitos, os 8 episódios da série se encaixam perfeitamente no formato da Netflix, sendo favorecidos por uma maratona na sua conexão de ganchos, núcleos e teorias da conspiração.

Por mais estridente que seja, a série é perfeitamente organizada e essa "loucura lógica" facilita a conexão do espectador com os personagens. Ainda que carregue o nome de Dirk Gently, a trama não se resume a ele, com coadjuvantes cheios de personalidade e essenciais para a narrativa. Bart Curlish (Fiona Dourif) e Ken (Mpho Koaho) são o melhor exemplo. Do outro lado da balança do universo de Dirk está a assassina holística e seu assistente. Suja e com a voz rouca, Bart é o oposto do otimista e atrapalhado Gently, mas a conexão entre os dois revela uma mitologia complexa e divertida, uma reação em cadeia espiritual.

A ação, os efeitos visuais e as cores, com algumas pitadas de punk rock, reforçam o clima cartunesco da série e abraçam o arco da primeira temporada. É uma estrutura que, se aceita, diverte ao longo dos seus episódios e termina com um pedido por mais, como uma volta em uma boa montanha-russa. Na já encomendada segunda temporada esse mundo só tem a crescer, dando a Dirk Gently e sua trupe holística um merecido lugar entre os grandes da cultura pop.

Nota do Crítico
Ótimo

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