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Crítica

Devilman Crybaby | Crítica

Com muito estilo e alma, nova adaptação do mangá clássico pela Netflix é o primeiro ótimo anime de 2018

Arthur Eloi
08.01.2018
13h48
Atualizada em
12.01.2018
03h05
Atualizada em 12.01.2018 às 03h05

Com diversos anúncios durante 2017, a Netflix revelou que tem um compromisso com os animes. Para começar bem o ano, o serviço de streaming fechou uma parceria com a produtora Science SARU para distribuir Devilman Crybaby, reinterpretação moderna do clássico mangá bizarro de Go Nagai publicado no Japão na década de 1970.

A trama acompanha Akira Fudo, um garoto sensível sem grandes feitos ou amigos na escola que se reencontra com Ryo, seu amigo de infância, após muitos anos separados. Ryo tenta recrutá-lo para uma missão: provar ao mundo que demônios são reais e andam entre as pessoas. Durante uma festa tomada pelos monstros, Akira é possuído por um e torna-se um demônio com coração humano, tendo como objetivo proteger a raça humana dos seres diabólicos.

O primeiro capítulo causa um estranhamento inicial pelo seu uso de violência e sexo gráfico, que parecem gratuitos antes da série apresentar seu propósito. Os demais capítulos recompensam ao discutir a condição humana em meio a dificuldades, demonstrando como a fraqueza da mente humana pode superar até a força física através de vícios e outros mecanismos de escape para lidar com perda, pobreza e abandono.

Ainda assim, o programa levanta a questão de se tal "fraqueza" emocional é realmente um defeito. Ao mesmo tempo em que a insegurança e desconfiança entre as pessoas criam conflitos desnecessários como racismo, guerra xenofobia, a capacidade de ser ferido - e reconhecer que outros também sofrem - é o que permite empatia e união entre os seres humanos (algo que é representado com maestria nos capítulos finais onde o mundo é tomado pelo caos e desordem). É necessário confiança para debater tais temas em meio à um anime onde onde demônios estraçalham pessoas, e Devilman Crybaby acerta em cheio ao demonstrar humanidade.

O ponto que pode ser divisivo é a qualidade da animação. De início os traços parecem amadores e com personagens desproporcionais. Ao ritmo que o seriado avança, fica claro que o visual é parte do estilo rápido, fluído e viajado que marca as obras de Masaaki Yuasa, conhecido também por Ping Pong The Animation.

Cores vibrantes e lutas frenéticas dão vida à ação, e a qualidade se mantém consistente até os momentos finais. O destaque fica por conta da excelente trilha sonora de Kensuke Ushio, conhecido do diretor. Com sintetizadores e baterias eletrônicas, a música com pegada de synthwave agrega ao estilo noventista da animação e dá suspense aos momentos mais intensos.

Devilman Crybaby pode causar um certo estranhamento, mas a animação recompensa a paciência com muito estilo e, principalmente, coração. A adaptação obra de Go Nagai mantém charme brutal e erótico do mangá original, garantindo a Netlix o título de casa do primeiro ótimo anime de 2018.

Nota do Crítico
Ótimo

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