Foto do elenco de Derry Girls

Créditos da imagem: Derry Girls/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Derry Girls - 2ª temporada

Série de Lisa McGee mantém o humor ácido e questões importantes na segunda temporada

Camila Sousa
07.08.2019
11h45
Atualizada em
07.08.2019
12h15
Atualizada em 07.08.2019 às 12h15

Uma das maiores vantagens dos serviços de streaming, em especial a Netflix, é a capacidade de reunir conteúdos diversos, que vão além das séries e filmes produzidos em Hollywood. Isso dá abertura para que séries como Derry Girls, de Lisa McGee, chegue à sua segunda temporada. Os rápidos seis episódios de 24 minutos cada são um deleite, mantendo o humor ácido e as questões importantes mostradas na primeira temporada.

Após recapitular o que aconteceu anteriormente, o seriado mostra Erin e seus amigos nas férias de verão. Apesar de o conflito na Irlanda do Norte ainda existir, há um respiro de paz e isso é mostrado através dos jovens. A ideia é unir estudantes protestantes e católicos, para que as diferenças sejam deixadas de lado. Mas, claro, no universo de Derry Girls isso significa coisas como Michelle tentando conquistar um dos garotos e um exercício de confiança que termina em uma grande briga. É muito bom perceber que a segunda temporada deu mais espaço para a Irmã Michael, personagem de Siobhan McSweeney. A religiosa sem paciência é um dos grandes destaques do episódio de estreia e se diverte muito durante as pequenas rivalidades que surgem entre os jovens.

Como dito anteriormente, o segundo ano da série é curto e a criadora aproveita o tempo muito bem ao fazer episódios quase antológicos. Há uma continuidade clara entre eles, mas o humor no ponto certo e o roteiro enxuto garantem que uma história específica tenha começo, meio e fim dentro dos 24 minutos. Essa boa distribuição faz com que uma temporada tão curta passe por vários temas da juventude, como a necessidade de aceitação, a vontade de impressionar uma aluna nova e a conquista de ir para um show de rock.

E o charme especial, que torna a história de Derry Girls tão agridoce, é o fato de tudo isso acontecer em meio a um conflito. Há peso em tais momentos, mas eles são colocados tão naturalmente na história, que não soam panfletários para nenhum lado. Isso acontece, por exemplo, quando Michelle insiste em ir ao show, pois é difícil ter eventos culturais tão grandes em uma zona de conflito; ou quando um cinema é evacuado por motivos de segurança e a família da protagonista fica sem saber quem era o grande vilão da história. Tudo isso mostra o quanto Lisa McGee quis explorar as consequências de algo tão difícil na vida das pessoas mais simples.

Confusões e esperança

A segunda metade da temporada de Derry Girls tem um interessante salto de qualidade. O roteiro insere na história dois acontecimentos comuns de seriados: um casamento e um velório. Com isso, os personagens saem de seus cenários comuns, o que traz um frescor para a história, mas a maior beleza é que esses dois pontos são tratados com uma originalidade quase única. Desde os acontecimentos mínimos, até os diálogos, tudo tem um ar de novidade, com falas rápidas e irônicas e citações que só fazem sentido dentro do universo da série.

Tal dinâmica só funciona pela entrega completa do elenco, que não perdeu nada de qualidade em comparação com a primeira temporada. Aliás, todos parecem ainda mais confortáveis com seus papéis, especialmente a família da protagonista Erin. A ida do avô Joe (Ian McElhinney, o Sor Barristan Selmy de Game of Thrones) ao baile da escola, por exemplo, prova que os personagens tiveram mais liberdade de transitar entre os núcleos de casa/escola e isso rende momentos divertidos.

A mensagem da segunda temporada de Derry Girls é bem parecida com a da primeira, só que ainda mais forte. Quando o grupo de jovens se abraça na praça central da cidade, ao som de um importante discurso, há uma faísca de esperança de que a humanidade pode melhorar. Claro, a história costuma ser cíclica e os conflitos sempre podem voltar, mas pelo menos durante aqueles minutos, a cidade de Derry olhou para o futuro com alegria e expectativa de algo melhor.

Nota do Crítico
Ótimo