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Crítica

Dear Killer Nannies traz novo olhar para legado de sangue de Pablo Escobar

Série conta história da família sob prisma do herdeiro do narcotraficante

Omelete
4 min de leitura
07.04.2026, às 18H00.
Atualizada em 07.04.2026, ÀS 18H36

Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, nova série do Disney+, é uma daquelas obras que chegam para sacudir o gênero true crime, especialmente por mexer em um vespeiro já muito explorado: a vida de Pablo Escobar.

A exaustão de produções sobre o cartel de Medellín parecia ter atingido seu ápice, mas Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, prova que ainda há perspectivas cruciais a serem exploradas. Diferente do foco quase jornalístico ou policial de seus antecessores, a série mergulha na subjetividade da infância de Juan Pablo Escobar (agora Sebastián Marroquín). A narrativa é construída sob uma ótica de "perda de inocência", acompanhando o jovem "Juampi" enquanto ele descobre que o pai generoso e o herói do povo é, na verdade, o arquiteto de uma era de terror.

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O roteiro acerta ao focar na peculiar e perversa dinâmica doméstica. O título não é meramente ilustrativo: as "babás" do garoto eram, de fato, os sicários mais perigosos do cartel. A série transita habilmente entre o deslumbramento do luxo surreal da Hacienda Nápoles e a tensão sufocante de viver com um alvo móvel em suas costas. Ser filho de Pablo Escobar representava um peso social (e político) para a vida de Juampi, e isso o afetava de inúmeras maneiras. Seus únicos amigos eram estes sicários, o que o fez crescer em uma realidade completamente diferente de outras crianças de sua idade. Essa dualidade humaniza a tragédia familiar sem, no entanto, cair na armadilha de justificar os crimes do patriarca, mantendo o tom de um alerta histórico sobre as consequências do narcotráfico.

No quesito atuação, o elenco entrega uma entrega visceral que sustenta o peso dramático da obra. Miguel Angel Garcia brilha ao capturar a confusão emocional e o amadurecimento forçado de Juan Pablo, enquanto John Leguizamo entrega um Pablo Escobar que foge da caricatura. O Escobar de Leguizamo não é apenas o vilão explosivo, mas um pai manipulador e carismático, cuja presença em cena evoca uma ambivalência perturbadora que é essencial para entendermos o conflito interno do protagonista.

O principal diferencial de Dear Killer Nannies em relação a produções consagradas como Narcos reside no seu DNA narrativo. Enquanto a série da Netflix é uma saga de ação e poder focada na caçada policial e na estrutura do crime, a obra do Disney+ é um drama íntimo e psicológico. Aqui, o narcotráfico não é o espetáculo, mas o cenário opressor que deforma uma infância. A série troca as metralhadoras do DEA pelo silêncio desconfortável das fitas gravadas pelo pai para o filho, priorizando o impacto emocional sobre o choque da violência.

Outro ponto que eleva a produção é a sua estrutura híbrida, que flerta com o documentário ao incluir narrações do próprio Sebastián Marroquín, que chega a fazer uma ponta logo no início da produção. Essa escolha confere uma autenticidade que as ficções puras não possuem. Ouvir o relato real entrelaçado à dramatização retira qualquer glamour que a cinematografia pudesse conferir ao crime, reforçando o compromisso da série com a reparação histórica e a desconstrução do mito do "Robin Hood de Medellín".

Desconstrução esta que era de suma importância para Marroquín e a equipe criativa da série. O objetivo de Dear Killer Nannies era mostrar que os babás de Juampi eram, sim, carismáticos, mas isso não os impedia de cometer atrocidades. Retratá-los como pessoas minimamente admiráveis era essencial para a narrativa não apenas para atrair o público, mas para explicar como, ao olhar de uma criança, eles pareciam a companhia ideal. Mas a série logo traz o espectador de volta à realidade, de modo que a romantização desta vida não caísse na armadilha de popularizar novamente figuras tão execráveis.

Em suma, Dear Killer Nannies é uma adição necessária e corajosa ao catálogo do streaming. Ao dar voz às vítimas colaterais que carregam o peso de um sobrenome maldito, a série consegue o impossível: oferecer algo genuinamente novo sobre uma história que o mundo achava que já conhecia de cor. É um convite à reflexão sobre identidade, herança e a difícil escolha de trilhar um caminho de paz em meio a um legado de sangue.

Nota do Crítico

Dear Killer Nannies

Criado por: Dear Killer Nannies
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