2ª temporada de Dark, da Netflix

Créditos da imagem: Dark/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Dark - 2ª Temporada

Série abraça de vez a ficção científica sem abandonar o suspense

Oferecimento
Gabriel Avila
22.06.2019
11h48
Atualizada em
04.07.2019
17h43
Atualizada em 04.07.2019 às 17h43

Em sua temporada de estreia, Dark se mostrou uma grata surpresa devido à sua trama intrincada que misturava suspense e ficção científica. Nos dez primeiros episódios, a série apresentou Widen, uma cidade tomada por mentiras e segredos que entra em ebulição após o inexplicável desaparecimento de um garoto que resulta em uma complexa teia de viagens no tempo. Dois anos depois, a produção alemã retorna em grande estilo ao escancarar sua veia sci-fi, sem deixar os mistérios para trás.

Após tentar destruir o portal que desloca pessoas através do tempo, Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) chega ao distópico ano de 2052 e se depara com uma Terra arrasada por um evento apocalíptico ocorrido há três décadas. Enquanto luta para retornar e reverter essa catástrofe, responsável por extinguir uma parcela da humanidade, o jovem precisa descobrir um jeito de interromper esse ciclo que espalha miséria em diferentes épocas.

A segunda temporada de Dark estreou com grandes desafios criados por seu excelente primeiro ano. Para se manter autêntica, a série soube manter o ritmo estabelecido anteriormente, fortalecendo a atmosfera de suspense ao apostar ainda mais em seus enigmas, escolhendo com precisão os momentos de apresentá-los e resolvê-los. O texto de Baran bo Odar e Jantje Friese, criadores do seriado, se aproveita dos conceitos já determinados para criar dúvidas, colocando à prova qualquer certeza de como os nós temporais podem ser resolvidos.

Ainda que a história gire em torno das quatro famílias que estabeleceram os principais dramas da primeira temporada, ela também abre espaço para que outros personagens ganhem destaque. Esse novo foco, que transita também entre personagens novos e coadjuvantes, permite uma alternância de pontos de vista que amplifica as ramificações de ações que, mesmo pequenas, têm a capacidade de gerar consequências catastróficas.

Sem a necessidade de justificar cada novo conceito sobrenatural com teorias existentes no mundo real, a produção abraça de vez o sci-fi e abre mais espaço para as viagens no tempo. Durante as investigações a respeito do sumiço de Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), mais pessoas descobrem a possibilidade de visitar outros períodos, criando um verdadeiro fluxo de gente fora de seu tempo. Consciente de sua densidade, o roteiro consegue se manter coeso ao localizar pessoas com motivações variadas através de linhas temporais com a utilização de metáforas e instrumentos que descartam qualquer pudor que a série alemã trouxe anteriormente em se assumir como uma fantasia.

Com um trabalho visual meticuloso, a nova temporada amplia não só sua complexidade narrativa, como também seu espetáculo visual. Ao visitar novos períodos históricos (e até mesmo materializar uma distopia), a produção expande sua capacidade de entreter ao adicionar mais camadas que compõem um panorama cada vez maior. Ao solidificar seus pontos positivos, Dark se mantém firme em uma vastidão de tramas e garante um retorno em alto nível, e com previsão de terminar na terceira temporada, o futuro da produção não poderia ser mais animador (e desesperador ao mesmo tempo).

Nota do Crítico
Ótimo