Cena de Stargirl/DC Universe

Créditos da imagem: DC Universe/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Stargirl – 1ª temporada

Produção vai além da série teen tradicional para recriar atmosfera otimista da Era de Ouro dos Quadrinhos

Nicolaos Garófalo
14.08.2020
19h11
Atualizada em
14.08.2020
19h51
Atualizada em 14.08.2020 às 19h51

Embora pareça estar com os dias contados com o surgimento da HBO Max, o DC Universe conta com a seleção mais heterogênea de séries inspiradas em propriedades da DC. Titãs, Patrulha do Destino e Harley Quinn são tão diferentes entre si que chega a ser difícil imaginar que são produzidas para a mesma plataforma. Em 2020, o streaming da editora variou ainda mais seu catálogo original com a chegada de Stargirl, programa teen protagonizado por herdeiros da icônica Sociedade da Justiça. Mesmo com o histórico positivo da plataforma, fãs ficaram levemente preocupados com as primeiras imagens da série, muito por causa do visual exagerado dos trajes de heróis e vilões.

Felizmente, essa preocupação foi acalmada já no piloto do seriado. Ao contrário do que foi mostrado nos primeiros trailers, Stargirl não se prendeu à vida de Courtney (Brec Bassinger) no colégio ou outros dramas batidos da juventude televisiva. Evitando cair em clichês de outras produções adolescentes, os roteiristas preferiram mostrar a protagonista explorando seus poderes e descobrindo a existência de heróis e vilões com a ajuda do padrasto, Pat Dugan (Luke Wilson).

Mesmo quando a trama se volta para a vida escolar de Courtney/Stargirl, há um ar de novidade no desenvolvimento da relação da garota com seus novos amigos e futuros membros da SJA. Yolanda (Yvette Monreal), Rick (Cameron Gellman) e Beth (Anjelika Washington) são construídos com carinho e os arcos que os levam a assumir os mantos de Pantera, Homem-Hora e Dra. Meia-Noite são mais orgânicos e surpreendentes do que o de alguns heróis do Arrowverse. Inspirados no otimismo típico da Era de Ouro dos Quadrinhos, os personagens crescem a cada episódio e superam desafios pessoais que os assombravam antes da formação do supergrupo. Esse período clássico dos quadrinhos também é refletido na caracterização dos vilões. Assim como eram nos primórdios do gênero, os antagonistas de Stargirl são caricatos, coloridos e surpreendentemente divertidos, especialmente o afetado Mestre dos Esportes, interpretado de maneira hilária por Neil Hopkins.

As cenas de ação também merecem atenção especial. Da bela abertura da série à batalha final entre a SJA e a Sociedade da Injustiça, as sequências trazem imagens claras para que o espectador não perca nenhum detalhe das coreografias de luta. Nada gratuitas, essas cenas marcam pontos diferentes no crescimento dos protagonistas como heróis, que começam a série como adolescentes nervosos e encerram o 13º episódio como um grupo em perfeita sintonia.

Há, por outro lado, alguns escorregões, especialmente no quesito atuação. Embora Brec Brassinger, Luke Wilson e Amy Smart entreguem um ótimo trabalho como a família Whitmore-Dugan, o jovem Trae Romano não consegue manter a qualidade e transforma Mike, filho de Pat, em um personagem incômodo, indo na contramão do restante do elenco. Yvette Monreal, que vive a heroína Pantera, é outro problema. Irregular, a atriz passa 13 capítulos com uma atuação forçada e nunca justifica sua escalação para série. Felizmente, os atores raramente aparecem sozinhos na série e não tiram o mérito de seus colegas de elenco.

Com uma segunda temporada já garantida na CW, Stargirl tem tudo para continuar se destacando entre tantas adaptações televisivas de histórias em quadrinhos. Surpreendente e leve, a série compreende suas origens nas páginas da DC e traz um merecido ar de novidade a um cenário muitas vezes preso a seriedade desnecessária e drama exagerado.

Nota do Crítico
Ótimo