Chad Powers volta em 2ª temporada maior, melhor e mergulhada no suspense (e terror!)
Novo ano expande a história do personagem de Glen Powell com o gostinho de quem caminha para a reta final
A grande pergunta que ficava ao longo da primeira temporada de Chad Powers era: como sustentar a curiosa história do quarterback “cancelado” que, no melhor estilo Vovó... Zona, se disfarçava com próteses para fingir ser o personagem que dá título ao seriado? Se a premissa surgiu a partir de uma pegadinha de Eli Manning, ex-jogador da NFL, a série constrói uma narrativa sobre recomeços e a busca por novos propósitos para Russ Holliday (Glen Powell). Agora, o novo passo do enredo é criar um jogo de gato e rato, colocando o segredo do protagonista em risco o tempo todo nesta segunda temporada.
O novo ano acompanha Chad (Powell) estabelecido como o quarterback e grande astro do time South Georgia Catfish. A esperança da equipe universitária é que o exótico jovem possa ajudá-los a conquistar o título nacional. Entretanto, Chad/Russ, Ricky (Perry Mattfeld) e Danny (Frankie A. Rodriguez) - os únicos que conhecem o segredo - precisam driblar constantemente a ameaça de a verdade vir à tona, o que destruiria as chances do time e a carreira do treinador Jake Hudson (Steve Zahn), pai de Ricky. A grande ameaça ao trio ganha nome e sobrenome: Gerry Dougan, o reserva de Chad, obcecado pelo sucesso do rival.
Essa obsessão de Gerry por Chad é o grande trunfo do roteiro neste segundo ano. A trama flerta com o suspense e explora elementos do terror, transformando as máscaras de Chad - usadas pela torcida - em uma figura digna de um slasher ou de um filme de Hannibal Lecter aos olhos do atormentado reserva. Michael Waldron, um dos criadores da série e diretor de quatro dos seis episódios, constrói momentos clássicos do gênero, como sombras à porta do porão e corredores vazios à espera de um jumpscare.
Com a expansão do universo da série, o elenco ganha mais espaço para brilhar. É o caso de coadjuvantes como Tricia (Wynn Everett), a dona do time, que ganha destaque na segunda metade da temporada, e de Jake, que lida com a recuperação após o infarto sofrido no ano anterior e suas consequências. A dupla formada por Glen Powell e Frankie A. Rodriguez continua sendo um acerto gigantesco, entregando inclusive referências diretas a Batman e Robin - com direito a uma "batcaverna" própria. Rodriguez, aliás, vai muito além da dinâmica de alívio cômico: o intérprete do mascote do time precisa encarar os próprios demônios ao se ver no alvo das perseguições de Gerry.
Se a primeira temporada de Chad Powers foi uma grata surpresa, a segunda chega para elevar o nível e preparar o terreno para uma possível reta final em um eventual terceiro ano. Os seis episódios, com durações entre 30 e 45 minutos, são dinâmicos, engraçados e mantêm o espectador engajado no dilema de Russ/Chad para finalmente ser aceito.
Se Ted Lasso se consagrou como a série good vibes sobre futebol e saúde mental, Chad Powers surge como uma contrapartida mais cínica do "football" americano, mas não menos eficiente em discutir amizade e os caminhos para o sucesso.
Chad Powers: O Quarterback
Chad Powers
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