Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy

Créditos da imagem: Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy/Netflix/Reprodução

Séries e TV

Crítica

Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy

Série documental sacia curiosidade mórbida, mas sofre com ritmo para fazer a narrativa engrenar

Mariana Canhisares
01.02.2019
17h49

O nome Ted Bundy pode não parecer muito ameaçador, principalmente se você é um millennial, mas a verdade é que esse foi um dos serial killers mais emblemáticos dos Estados Unidos. Nos anos 1970, ele assassinou brutalmente dezenas de mulheres em diferentes estados do país e os casos viraram uma verdadeira sensação na mídia, semelhante a uma série de ficção. Mesmo tanto tempo depois, ele continua a despertar uma espécie de fascínio no público, comprovado no sucesso da nova série documental da Netflix, Conversando com um Serial Killer.

Como o próprio nome do seriado já indica, a voz de Ted Bundy acompanha toda a narrativa do documentário e é com certeza um dos grandes diferenciais da produção. O diretor Joe Berlinger usa trechos de entrevistas gravadas com o assassino já na prisão, quando ele finalmente confessou seus crimes, para abordar desde sua infância até seus últimos dias de vida. Mas ele não é o responsável pela condução da história. Policiais, jornalistas, advogados e até amigos do Ted dão suas impressões daquele período, compondo um quadro de diferentes visões, mas sempre frisando o narcisismo e aquela estranheza do personagem.

É fato que os quatro episódios da série deixam claro que Ted Bundy realmente não era uma pessoa comum. Não só pela perversidade dos seus crimes, mas pela sua perspicácia. Ele sabia como manipular as pessoas e encontrar jeitos de se favorecer, mesmo nas situações mais inusitadas. Não à toa, a história dele tem reviravoltas surpreendentes, dignas de novela - algo que a mídia na época soube explorar muito bem, diga-se de passagem.

Entretanto, para contextualizar o passado do personagem, o diretor sofre um pouco com o ritmo. A falta de imagens o obriga a mesclar vídeos genéricos dos anos 1970 com fotos de Bundy, o que torna a narrativa um pouco cansativa. Quando tenta consertar isso e instigar mais o interesse do espectador usando uma música de suspense, perde a mão e deixa só a impressão de que é uma tentativa de dramatizar uma história já muito tensa. Felizmente, esse recurso fica mais discreto conforme a série avança e a cobertura da imprensa se torna mais presente. Assim, a história ganha uma cadência mais atraente e fica difícil não ficar, no mínimo, curioso com o que aconteceu.

Além de saciar uma curiosidade mórbida sobre o caso, a reação das pessoas na época também merece destaque. No começo, elas acreditavam na inocência dele só por acharem que ele era bonito. Depois da condenação e da pena de morte, a execução de Ted virou quase um evento esportivo, com direito a torcida e gritos de guerra. Esse é um dos pontos mais interessantes do documentário. Mais do que só a história de Bundy, revela elementos sociais bizarros que ironicamente persistem até hoje, como a espetacularização de crimes nos noticiários.

Nesse sentido, Conversando com um Serial Killer entretém enquanto um drama policial, mas também abre a possibilidade para reflexões bastante relevantes sobre como avançamos como sociedade e o quanto estamos estagnados.

Nota do Crítico
Bom