Séries e TV

Crítica

Castlevania - 1ª Temporada | Crítica

Divisão ilógica e ritmo engasgado causam uma primeira impressão conturbada da adaptação da Netflix

Arthur Eloi
07.07.2017
15h05
Atualizada em
07.07.2017
16h52
Atualizada em 07.07.2017 às 16h52

Adaptar videogames não é tarefa fácil. O cinema sabe muito bem disso, mas a televisão não tem o costume de traduzir obras do meio. Mesmo assim, a Netflix decidiu que estava apta para a tarefa com Castlevania, série animada inspirada na lendária franquia da Konami.

Baseado em Castlevania III: Dracula’s Curse, de 1990, a trama é ambientada em 1476 onde o maléfico Conde Drácula reúne um exército de criaturas da noite para destruir a raça humana. Para combatê-lo, um grupo religioso recorre à ajuda de Trevor Belmont, o último descendente de uma família de matadores de vampiros há muito expurgados pela igreja.

Há poucas alterações em relação ao material-base. Considerando que o jogo é produto de uma época onde a história não importava tanto quanto a jogabilidade, a série faz um bom trabalho em dar profundidade à ira do vilão e personalidade ao protagonista - mesmo que exagerada em alguns momentos.

Trevor tenta passar desprendimento da realidade dos camponeses em razão dos traumas e violência que sua família sofreu, mas tudo isso é dito, não mostrado. A todo momento o personagem lembra que "não se importa" ou como o seu sobrenome é desvalorizado. Apesar da intenção ser boa, o roteiro não ajuda e acaba criando alguns momentos bobos e repetitivos.

Com o passar dos episódios, a história melhora e o protagonista passa a ser mais carismático, divertindo em meio à seriedade dos demais. Essa melhora no texto pode ser muito bem representada pela chegada tardia de Alucard, vampiro aliado que fala com propriedade e elegância.

Infelizmente, "elegância" não pode ser usada para descrever a animação. Enquanto o visual acerta o tom sombrio e surpreende na iluminação, a movimentação é muito engasgada para as cenas que tenta criar. Como resultado, tanto trechos de batalha como interações entre vários personagens ficam robóticas e perturbadoras. As coisas melhoram e ficam mais fluidas e detalhadas nos dois capítulos finais - e isso só serve para exaltar o maior problema com Castlevania.

A divisão da temporada em duas partes não faz sentido. Os capítulos iniciais apenas apresentam a premissa e o trio de heróis. Não disponibilizar o restante e tentar compensar com um gancho qualquer torna a experiência incompleta. . Por mais que o modelo episódico seja pensado para servir uma janela grande de tempo, a continuação dessa história estreia só em 2018, o que abre a questão: vale a pena esperar? E isso nunca é uma boa primeira impressão.

Quando eventualmente acerta a mão no visual e no roteiro, Castlevania mostra potencial de ser uma sangrenta e divertida aventura. Infelizmente, a enrolação dos capítulos iniciais combinada com a decisão ilógica de disponibilizar apenas metade da saga cria um produto esquecível e não muito chamativo. A ironia é que essa adaptação do jogo tenha traduzido para a televisão o maior problema da atual indústria de games: lançar algo com baixo polimento sob a promessa de que será de qualidade daqui a algum tempo.

Nota do Crítico
Regular