Séries e TV

Crítica

Castlevania - 2ª Temporada

Com mais episódios, segunda temporada leva a produção ao rol das melhores adaptações de videogame

Gabriel Avila
29.10.2018
18h39
Atualizada em
29.10.2018
19h42
Atualizada em 29.10.2018 às 19h42

Atravessando gerações com mais de 40 jogos lançados, a franquia Castlevania tem uma mitologia tão sólida que já foi transformada em livros, quadrinhos e mangás, até que em 2017 virou um anime pelas mãos Netflix. Baseado em "Dracula's Curse", o terceiro game da série, Castlevania se passa no século XV, quando uma médica chamada Lisa Tepes é acusada de bruxaria e queimada em uma fogueira. Porém, a mulher era esposa de ninguém menos que Vlad Drácula, que ao descobrir que seu grande amor havia sido tomado pela ignorância dos humanos, decide exterminar a raça da face da Terra, e um ano depois solta seu exército de monstros sobre a nação de Valáquia. Para impedir esse genocídio, Trevor Belmont, o último filho de um clã caçador de vampiros se junta a maga oradora Sypha Belnades e Alucard Tepes, o próprio filho de Drácula e Lisa. Cheia de ação e carisma, a curta primeira temporada ganhou uma continuação que conta com mais episódios e eleva a produção ao rol das melhores adaptações de videogame.

Com o dobro de episódios, a segunda temporada cresceu não apenas em duração, como também deu um salto de qualidade. O roteiro assinado pelo quadrinista Warren Ellis (The Authority) agora investe em explicar a mitologia do seu universo ao se aprofundar em ambos os lados do combate entre o bem e o mal. Ao apresentar fragmentos do histórico de caça aos vampiros da dinastia Belmont ou dar detalhes sobre os planos de Drácula, a história faz mais do que espalhar easter eggs e mergulha nas raízes do que torna Castlevania uma obra tão rica.

O desenvolvimento de tramas paralelas e novos personagens também justificam o aumento de episódios nessa temporada. Inéditos até então, os aliados de Drácula se mostram intrigantes por sua diversidade de interesses, que variam desde a obediência cega até o desejo de usurpar o poder de seu mestre. Através de diálogos afiados e reveladores, a interação e as motivações de cada personagem soam legítimas, assim como do lado dos mocinhos, que têm de aprender na marra a confiar um no outro para cumprir uma missão para garantir a sobrevivência da humanidade.

A animação ganha um upgrade visual que torna a experiência ainda mais completa. A riqueza de detalhes em cenários como o lar abandonado dos Belmont ou o próprio castelo de Drácula, é impressionante e ajuda a construir a atmosfera da trama. Embora não seja possível examinar o ambiente como nos jogos, a série emula essa experiência ao explorar as localidades com diversos ângulos durante sequências que beiram a contemplação. As cenas de ação também ganham maior destaque, visto que agora os combates contam com maior duração e um leque mais variado de equipamentos e magias, também simulando uma batalha contra os chefões de um jogo.

É sabido que adaptações de videogame têm o costume de não ir bem com o público por conta de representações abaixo da média, mas Castlevania vai na contramão e se sagra como uma das que melhor entende sua fonte de inspiração. Com uma terceira temporada já confirmada, é certo que a luta dos Belmont contra as trevas ainda está longe de acabar, e embora não siga a história do jogo em que se baseia à risca, o anime encaixa suas peças e traz uma experiência coesa e visceral.

Castlevania
Netflix/Reprodução
Nota do Crítico
Ótimo