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Crítica

Brooklyn Nine-Nine - 5ª temporada | Crítica

Com humor certeiro e episódios emocionantes, série entrega uma de suas melhores temporadas

Camila Sousa
24.05.2018
15h00
Atualizada em
25.05.2018
17h35
Atualizada em 25.05.2018 às 17h35

Existem algumas profissões que sempre são retratadas no cinema e na TV. É o caso de médicos, advogados, bombeiros e policiais. Logo, quando Brooklyn Nine-Nine foi lançada com o objetivo de contar o dia a dia de uma delegacia e seus investigadores, ela precisava de algo novo para se sobressair em relação às outras séries. E o resultado não poderia ser mais positivo: em suas cinco temporadas, o seriado apresentou personagens carismáticos e um humor irônico e genuíno, que é utilizado nos momentos certos e jamais tira o mérito de seus protagonistas. Todas essas características estão na quinta temporada do seriado, que mostra muito amadurecimento sem deixar de lado a diversão.

Quando o novo ano começa, Jake Peralta (Andy Samberg) e Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) estão na cadeia injustamente e seus colegas da 99 estão buscando formas de tirá-los de lá. O novo ambiente cria oportunidades de humor interessantes como, por exemplo, o carisma incrível de Peralta e sua capacidade de fazer amizade com absolutamente qualquer pessoa no mundo - desde um canibal que comia criancinhas, até um chefe de gangue apaixonado por macarrão instantâneo. O núcleo também evidencia muito bem o tom de sátira com as séries de policiais “durões”: há várias situações de perigo e Jake até comemora quando está nelas, comparando-se aos seus ídolos do cinema e da TV. Há uma impressão de falta de consequências quando tudo se resolve facilmente, mas isso trabalha a favor de uma narrativa leve, que sabe quando encerrar uma piada antes que ela fique desgastada.

O humor físico e ácido de Andy Samberg é o que dá o tom de Brooklyn Nine-Nine, mas tudo só funciona porque todos os atores em volta dele estão totalmente comprometidos com seus papéis e funcionam tanto como uma continuação das brincadeiras de Peralta (como Boyle), quanto como um contraponto (como a falta de paciência de Rosa). É essa combinação improvável que faz o seriado ser tão cativante e ter uma base de fãs devota.

Ao longo dos 22 episódios de sua quinta temporada, Brooklyn Nine-Nine encontrou tempo para falar de temas importantes com uma naturalidade rara. Isso acontece quando Gina (Chelsea Peretti) volta ao trabalho e fala de seus problemas em conciliar maternidade e trabalho. Posteriormente, Terry (Terry Crews) volta a falar sobre filhos ao revelar seus receios em ter uma função tão arriscada quanto a de policial. Na parte de representatividade, Rosa é o destaque da temporada pelo conflito de revelar sua bissexualidade para os pais e o Capitão Holt (Andre Braugher) sempre retoma o assunto quando mostra os desafios de ser gay na corporação. Todas essas narrativas entram e saem dos episódios de forma tranquila - geralmente com alguma piada no final - mostrando que a discussão está ali, ela é importante, mas não precisa ser feita de forma agressiva.

Perto do final da temporada, a série surpreende com um episódio 20 (“Show Me Going”) pesado e emocional, que coloca Rosa em uma situação de perigo. Esse conflito tão difícil intensifica o papel de cada um dentro da 99 e ressalta a importância de Peralta para manter aquela família unida. O uso das piadas no episódio é bem trabalhado e as situações cômicas mostram a fragilidade dos personagens que estão com medo de perder a amiga. É um episódio muito humano e maduro, que emociona na mesma proporção em que faz rir.

Os momentos finais da quinta temporada são uma homenagem à jornada dos personagens até ali e servem também como um fechamento de ciclo. As declarações de amor entre Jake e Amy, a amizade de Boyle, o companheirismo de Terry, as emoções duras de Rosa: tudo isso mostra a evolução dos personagens desde a primeira temporada e deixa um pingo de tristeza ao imaginar que podem faltar apenas 13 episódios para o final da série.

O grande mérito de Brooklyn Nine-Nine é mostrar a simplicidade da vida, mesmo em um ambiente tão difícil como o policial. Peralta, Rosa, Terry, Amy, e todos os outros ali estão comprometidos em prender bandidos e fazer do mundo um lugar melhor. E por mais difícil que seja - que a vida real seja - ainda há como fazer tudo isso com um sorriso no rosto.

Nota do Crítico
Excelente!